Entenda a cadeia produtiva do cinema brasileiro

A cadeia produtiva do cinema brasileiro envolve desde produções artísticas até produções de cunho comercial voltadas para distribuição em massa.

Neste artigo, você vai aprender o que é e como funciona a cadeia produtiva do cinema no Brasil. Vamos dividi-la em etapas e comentar as características principais de cada momento. Um conteúdo imprescindível para quem pretende trabalhar com a área. Leia até o fim!

O que é uma cadeia produtiva

Esse termo não é exclusivo do cinema ou das artes. Por cadeia produtiva, entende-se o caminho que um produto ou serviço percorre desde a sua criação até o momento em que chega às mãos do público que vai consumi-lo. No caso do cinema, que é um bem imaterial, alguns elos dessa jornada são mais complexos.

As indústrias, ao estudarem e teorizarem sobre suas cadeias produtivas, podem se basear facilmente no potencial de venda dos seus produtos. Elas atendem quase exclusivamente a interesses econômicos, o que facilita a compreensão dos gastos com cada etapa do ponto de vista do custo-benefício e do retorno do investimento.

O cinema, tanto quanto as artes em geral, funciona de uma forma diferente. O seu produto, o filme, é sim vendável, pode gerar lucro e remunerar uma série de profissionais. No entanto, a arte é também a manifestação cultural de um povo. Assim, muitas vezes, o cinema também tem como finalidade refletir sobre estruturas sociais e culturais, contribuindo para educar e formar opinião.

Como é a cadeia produtiva do cinema brasileiro

Hoje, num mercado cada vez mais digitalizado e internacional, mesmo filmes que não se enquadram em padrões estritamente comerciais, mas que têm qualidade de produção, encontram seu espaço. Logo, a visão da arte como empreendimento também funciona.

Em mercados mais abrangentes e consolidados, como as indústrias cinematográficas americana e europeia, mesmo o cinema independente e o chamado cinema de arte encontram investidores comerciais, vide o sucesso de público de documentários, por exemplo, ou de filmes independentes (que custam uma fração de uma superprodução), que hoje encontram seu público nas diversas plataformas de streaming. Tipos de filmes diferentes atraem tipos de investidores diferentes.

Na maioria dos países, os governos participam de alguma forma dessa equação, seja por meio de incentivos fiscais, investimentos diretos ou fundos específicos para a área de cultura. No Brasil, o governo é tanto investidor como fomentador do audiovisual.

Pelo menos, esta é a estrutura que temos montada, que cobre toda a cadeia produtiva do setor. Entretanto, essa estrutura tem sofrido com o impasse burocrático causado pela troca de governo em 2019, e o setor prevê uma queda de lucros nos próximos anos, já que o que deixamos de produzir hoje é o que não será distribuído amanhã. Mas há um esforço coletivo da indústria para que os investimentos sejam retomados.

De um modo geral, os governos veem como investimento esses valores desembolsados ou regulados, pois eles geram um impacto positivo sobre a economia. Para se ter uma ideia, a indústria cinematográfica no Brasil movimenta cerca de 25 bilhões de reais por ano no país, gerando empregos e pagando impostos. É o tipo de atividade em que todo mundo sai ganhando: o público recebe conteúdo de qualidade que reflete sua realidade cultural, o produtor produz e o governo movimenta a economia.

O potencial de distribuição de conteúdo audiovisual, tanto em cinema quanto em televisão, cresceu exponencialmente nos últimos anos. Esse novo mercado das plataformas de streaming tem sido também explorado pelas produções brasileiras, não só para distribuição no Brasil, como em outros países.

Abaixo, dividimos a cadeia produtiva do cinema brasileiro em três partes distintas. Em cada uma delas, comentamos a função técnica dos envolvidos, assim como questões relativas ao orçamento, planejamento, custos e retorno de investimentos.

Etapa 1: Produção

Embora esse termo seja genérico, quem trabalha na área o encara de um modo bem específico. A produção é a etapa em que os interesses artísticos e materiais são conjugados no planejamento e na criação de um filme.

Assim, a elaboração do roteiro e os processos de criação da fotografia, dos figurinos, da cenografia e da música devem ser viabilizados por esforços financeiros e administrativos de um grupo de gestores — o que é conhecido como produção executiva.

Estamos falando de um desenvolvimento das ideias do filme, seguida da fase de pré-produção — etapa de elaboração de cronogramas, consulta a profissionais sobre a viabilidade do trabalho e outros — produção propriamente dita e pós-produção.

Repare que não estamos lidando com fases cronológicas muito rígidas. A pós-produção acontece após o término das filmagens e consiste nos expedientes artísticos de edição, montagem e mixagem, bem como nos atos administrativos de prestação de contas e na análise financeira do projeto.

Etapa 2: Distribuição

O governo federal brasileiro, assim como as TV’s, os órgãos de fomento às artes das cidades e outros têm um papel fundamental nessa parte. É aqui que o cinema chega às pessoas. Como sua divulgação é de interesse público e privado, há diversos apoiadores envolvidos na fase de distribuição.

Os pontos de vendas dos filmes brasileiros são os cinemas, as TV’s, os festivais de cinema e as plataformas de streaming, como Netflix e Amazon Prime Video. O nosso “supermercado” são os produtores e as produtoras (no feminino, o termo significa não apenas as profissionais que investem no filme, mas também as empresas que fazem sua distribuição).

Se a criação de um filme é um risco para o produtor, quando ele consegue uma distribuição, esse risco é transferido ao distribuidor. É ele que deve decidir qual é o melhor plano de marketing para o filme, que tipo de lançamento será feito (regional ou nacional), que mídias usar na divulgação e assim por diante.

Etapa 3: Exibição

Se o filme chega aos cinemas, às plataformas de streaming ou aos canais de televisão, significa que ele está nas mãos do distribuidor.

É esse profissional que vai aplicar diversas estratégias para monetizar a exibição e recuperar o que investiu para ter o filme: ingressos, publicidade, aumento no número de usuários do seu serviço (no caso de streaming) etc.

Qual é o papel do investidor

O investidor pode financiar um filme na fase de produção, distribuição ou execução. Por exemplo, se ele custeia a criação da obra, pagando artistas e gestores, em geral, espera reaver o valor gasto nas etapas de distribuição ou exibição.

O investidor também pode pagar para que um filme chegue ao cinema ou para que o cinema o exiba. Seja como for, o papel desse profissional no cinema brasileiro é fundamental. Muitas vezes, esse investimento é feito pelo próprio Governo Federal, sob a tutela dos ministérios e secretarias de cultura.

Além dos benefícios econômicos e financeiros que um filme proporciona — gerando riquezas para o país e para as milhares de pessoas que participam direta e indiretamente da indústria — ele também traz benefícios culturais.

O acesso aos bens culturais, por sinal, é garantido por lei aos brasileiros, assim como acontece em qualquer país democrático. É por isso que as políticas públicas de incentivo à cultura são tão importantes. Por meio delas, o pensamento crítico e a formação espiritual são possíveis, na forma do incentivo intelectual, trazendo produções cinematográficas e artísticas em geral.

O potencial do nosso cinema é enorme. Para tal, é importante sempre pensarmos na cadeia produtiva do cinema brasileiro e nas suas nuances, contemplando expectativas comerciais, mas também necessidades sociais e culturais.

Se quiser saber com detalhes como são as funções e as rotinas dos profissionais envolvidos nessa cadeia, você pode participar de um dos nossos cursos na área de produção de cinema.


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