Conheça a história de sucesso do cinema de Hollywood!

O cinema de Hollywood, se a expressão for levada ao pé da letra, nem pertence apenas àquela cidade. Quando falamos dessa forma, estamos nos referindo a todo o circuito comercial e milionário da Sétima Arte dos Estados Unidos, além de alguns de seus desdobramentos.

Assim, há estúdios na Florida, por exemplo, e em diversos outros estados do país. Hollywood propriamente dito é um município com pouco mais de 200 mil habitantes submetido politicamente à capital do estado da California, Los Angeles.

Neste artigo, você vai conhecer brevemente o desenvolvimento do milionário mercado norte-americano de cinema desde sua fundação até as produções atuais, conhecido pelo nome de uma das principais cidades onde essa produção acontece. Continue a leitura!

Cinema de Hollywood: os primórdios

Com muito tino comercial, ninguém menos que Thomas Edison — o inventor da lâmpada elétrica — pode ser creditado como o empresário que forneceu as bases para a criação da indústria cinematográfica de Hollywood.

Edison reuniu empresas que detinham patentes em torno dos estágios de criação e distribuição de obras cinematográficas, cinemas, equipamentos e tecnologias. Por meio da formação de algo que mais tarde conheceríamos com o nome “monopólio”, criou a MPPC — Motion Pictures Patents Company.

Por meio de patentes, o inventor e outros empresários controlavam com mão de ferro tudo que era produzido no setor, obrigando artistas e produtores a pagar valores muitas vezes abusivos para criar e vender suas obras.

Em alguns casos, Thomas Edison comprava os direitos de filmes e lucrava muito com eles, remunerando mal os artistas e equipe envolvidas.

A Era dos Estúdios

Desgostosos com essa situação, vários desses artistas resolveram se mudar para um estado que ficasse fora da alçada da MPPC. O lugar que escolheram foi a California, e lá fundaram os oito estúdios considerados os mais icônicos da indústria cinematográfica até hoje: United Artists, Paramount, MGM, Warner Bros, Fox, Universal, Columbia e RKO.

Os estúdios controlaram a produção de cinema nos Estados Unidos e também a distribuição dos filmes mundo afora. Com isso, acumularam em torno de si muito poder político, além de lucros exorbitantes.

Eles não tinham caráter de monopólio (os estúdios do chamado “Big Eitght”, ao contrário do que acontecia com a associação de Thomas Edison, competiam entre si), mas também não agradavam muitos artistas com as condições que impunham.

A United Artists, como o nome indica, foi uma organização desses artistas dissidentes para conseguir lidar com a criação e distribuição de obras independentes, além dos próprios filmes.

Datam dessa época clássicos absolutos como Grande Hotel (1932), Drácula (1931), Casablanca (1943) e Cantando na Chuva (1952).

A Era de Ouro

A Era dos Estúdios e a Era de Ouro não se sucedem historicamente. Na verdade, elas se sobrepõem, uma vez que a última começa na década de 20 e só termina nos anos 60, quando a televisão se estabelece como meio de comunicação de massas.

Além disso, a maior parte dos sucessos da Era de Ouro foi financiada com o dinheiro dos estúdios. Tecnicamente, ela compreende as décadas de 20 e 30, mas seus efeitos se fazem sentir pelo menos até os anos 50, quando os elementos da Nova Hollywood começam a aparecer.

Assim, a Era de Ouro envolve produções muito díspares, e estrelas as mais variadas, indo de Charles Chaplin a Alfred Hitchcock, passando por Carmen Miranda, Elvis Presley, Marilyn Monroe, Marlon Brando e Audrey Hapburn, só para citar alguns exemplos.

Esse estágio do cinema norte-americano é lembrado principalmente pelos musicais, mas vai muito além deles. A evolução humana e tecnológica ao longo desses 40 anos é indiscutível: técnicas de atuação, câmeras e colorização foram experimentadas e sedimentaram-se como referências.

Anos 20

Se tivéssemos que eleger a época mais importante para o cinema norte-americano, não seria exagero dizer que ela coincide com os anos 20.

Essa década é marcada pela genialidade de Charles Chaplin e Walt Disney, e foi quando aconteceu o advento do cinema falado, que representou uma modificação profunda na forma como o american way of life experimentava o entretenimento.

A Disney lançou seu curta de animação Steamboat Willie (1928), abrindo caminho para o mercado do cinema animado. Isso permitiu os primeiros passos daquilo que viria a ser a Walt Disney Company, uma das maiores empresas de cinema de Hollywood e certamente a maior referência mundial em animação até os dias de hoje.

Também data dos anos 20 a criação da Academy of Motion Picture Arts and Sciences e a icônica premiação do Oscar, organizada por ela desde sua fundação. Guardadas as proporções do crescimento dessa associação em grandeza e abrangência, o prêmio permanece nos moldes originais até hoje.

Anos 30

O cinema dos Estados Unidos, na terceira década daquele século, assumiu contornos de uma contradição econômica e social. Os anos 30 começaram com a Grande Depressão, fortíssima crise econômica que abateu o país e levou parte enorme da sua população à falência e pobreza.

Assim, o clima inicial das produções no início dessa década era de pessimismo, e elas exploravam temáticas como decadência moral, crimes e personagens que agiam na trama sem qualquer linha ética.

Não demorou, no entanto, que entidades conservadoras se mobilizassem contra essa maneira de contar histórias no cinema. A Legião da Decência, formada por membros da Igreja Católica, atuou fortemente para regular a produção da época.

Assim, cenas com alto teor sexual foram desestimuladas, e personagens como gangsteres e prostitutas passaram a aparecer muito menos e com papéis laterais nas obras da época.

Os filmes se transformaram em uma forma de escapismo da realidade econômica, e acabaram ajudando a resgatar a fé e esperança dos americanos no governo, na economia e instituições.

Nos anos 30 surge a Technicolor, empresa cuja tecnologia possibilitou as primeiras filmagens a cores, ainda que rudimentares, se comparadas ao que viria a seguir.

Anos 40

O pano de fundo político também afetou drasticamente o cinema nos 10 anos seguintes. O país preparava seu ingresso na Segunda Guerra Mundial, e a aposta de Hollywood na lógica escapista assumiu novos contornos.

Dessa vez, o foco era os musicais, que elevavam ao patamar de estrelas tanto atores e atrizes — e a brasileira Carmem Miranda foi uma delas, tornando-se a mulher mais bem paga dos Estados Unidos — quanto os compositores e coreografistas que se envolviam nas produções.

O governo Roosevelt, antevendo as consequências políticas do fim da Segunda Guerra, começou um processo de aproximação dos Estados Unidos com outros países do continente americano.

Essa aproximação foi talvez uma das maiores ações no sentido de internacionalizar o cinema de Hollywood. O personagem Zé Carioca foi criado por Walt Disney à época, como forma de homenagear o Brasil, por exemplo.

Também são produções icônicas da década de 40 (embora estivessem de fora do “mainstream” dos musicais): O Falcão Maltês (1941) de John Huston, O Grande Ditador (1940) de Charles Chaplin, Casablanca (1943), de Michael Curtiz, Cidadão Kane (1941) e diversos filmes de Alfred Hitchcock.

Anos 50

Embora a Era de Ouro continue por boa parte da década de 50, a Era dos Estúdios tem seu fim pouco antes desse período. Esses estúdios encontraram uma solução economicamente mais viável atuando não como produtores de cinema, mas como distribuidores.

Assim, demitiram seus principais artistas e concentraram-se nesse novo papel. Isso abriu o caminho para que as produções da época engrandecessem o papel dos atores, e esses foram elevados à categoria de grandes astros das produções.

Apenas para ficar em alguns grandes nomes dessa década, podemos citar Marilyn Monroe, Grace Kelly, Elvis Presley, Brigitte Bardot e Audrey Hepburn, além de Gene Kelly nos musicais.

O cinema europeu e internacional também se tornou forte na época, embora a maior parte do que produzisse não pudesse ser enquadrado na categoria que hoje chamamos de “cinema comercial”. Assim, é nos anos 50 que surge o movimento francês da Nouvelle Vague, além das primeiras obras icônicas de Akira Kurosawa.

O cinema americano incorporava alguns elementos dessa produção internacional, mas seguia apegado a uma de suas grandes características: o foco na narrativa. Assim, um dos grandes ícones dos anos 50 foi Alfred Hitchcock. Datam dessa época seus longas Disque M Para Matar, A Janela Indiscreta (ambos de 1954) e Um Corpo Que Cai (1959).

A era da Nova Hollywood

O sentimento da contracultura invade o fazer artístico dos Estados Unidos a partir da década de 60 e tem início o movimento chamado New Wave. No cinema, a liberdade criativa passa a ser o mote dessa nova geração, e o papel do diretor ganha relevo, em contraposição aos atores, que foram figuras de destaque nas épocas anteriores.

Assim, nomes como Brian De Palma, Stanley Kubrick, Steven Spielberg e Francis Ford Coppola, Roman Polanski e Martin Scorcese são elevados ao status de celebridades mundiais.

O aprofundamento estético e conceitual dessa fase está relacionado à criação das primeiras faculdades de cinema, o que levou às discussões da Sétima Arte para o meio acadêmico. Assim, há uma lista de sucessos de bilheteria com enredo denso e altas doses de confrontos psicológicos na trama.

Também houve desenvolvimento dos efeitos especiais, elevando a produção hollywoodiana ao patamar de espetáculo pela qual é conhecida até hoje. Alguns filmes dessa época são a trilogia Poderoso Chefão (1973), Taxi Driver (1976), Star Wars (1977), 2001 — Uma Odisseia no Espaço (1968) e tantos outros clássicos absolutos.

Cinema de Hollywood na época atual

A partir dos anos 80, há um movimento contraditório em Hollywood, que marca sua última fase. Se, por um lado, as grandes produções ganham as salas de exibição — e os efeitos especiais ajudam a transformar um filme em uma experiência — por outro lado, com a popularização das câmeras VHS, o dito “uma câmera na mão e uma ideia na cabeça” fornece as linhas gerais para produtores e cineastas independentes.

Na prática, essa contradição faz parte de um modelo de negócio ousado que acabou determinando os rumos do cinema dos Estados Unidos dos anos 80 até hoje: estratificar a produção, diminuindo o investimento e potencializando os lucros.

Assim, temos a camada principal de investimento, com os chamados blockbusters, filmes multimilionários com apelo enorme e estratégias de marketing multinacionais. Um bom exemplo deles é Titanic (1998), com um orçamento de 280 milhões de dólares.

Abaixo dos blockbusters, há produções um pouco mais modestas, mas que lucram mais proporcionalmente, com relação a seus custos: A Bruxa de Blair (1999) e Atividade Paranormal (2009) são bons exemplos.

Embaixo, há o cinema dito “independente”. São obras de diretor, cujo potencial de lucro é muito grande, quando comprado ao valor ínfimo investido. São exemplos disso os filmes Amnesia (2001), de Christopher Nolan e Enterrado Vivo (2010) de Rodrigo Cortés.

A importância do investimento em cinema

Estudando a história de Hollywood, é possível perceber o forte vínculo da indústria cultural com a política e sociedade de um país. Isso pode ser utilizado para gerar escapismo baseado no entretenimento ou para melhorar a autoestima da população em momentos difíceis.

Uma coisa, no entanto, é fato. O vínculo com o cinema é algo muito forte para o público de outros países e isso não é diferente no caso do Brasil. Investir na produção cinematográfica emprega milhares de pessoas e traz retorno financeiro, econômico e social para um país.

O cinema brasileiro possui poucos investimentos e não vem ao caso compará-lo ao norte-americano do ponto de vista quantitativo. Quando o assunto é qualidade, no entanto, temos nossa forma de contar histórias nas grandes telas, e o aumento do público em torno das produções brasileiras é indiscutível.

Em 2017, um artigo do jornal El Pais demonstrava como o ramo audiovisual empregava 200.000 pessoas no país e crescia em meio à crise. Em 2014, ele chegou a faturar mais que a indústria automobilística brasileira.

Seja por meio de incentivos estatais, linhas de créditos para cineastas ou projetos de lei do audiovisual, o certo é que é muito bom para a economia do país que o cinema brasileiro continue crescendo.

E como inspiração para isso, temos o cinema de Hollywood — descrito aqui nos seus processos determinados pela economia dos Estados Unidos e sua política — ou outras produções que, tomadas em conjunto, são referência mundial, como acontece com o cinema japonês, iraniano e francês, só para citar alguns exemplos.

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