Academia Internacional de Cinema (AIC)

Trabalhar com cinema é um sonho ou uma realidade?

Foto: Gus Benke

O mercado audiovisual brasileiro só faz crescer – e demandar mão de obra qualificada, mesmo em tempos de recessão. De acordo com a Agência Nacional do Cinema (ANCINE), em 2014 o audiovisual brasileiro foi responsável por uma geração de renda de R$24,5 bilhões na economia brasileira (quase o triplo da renda de 2007, que foi de R$8,7 bilhões). Além de movimentar US$1,74 bilhão entre importações e exportações de serviços audiovisuais em 2015.

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Nesse cenário, estudar cinema hoje é mais do que uma opção pessoal de quem tem paixão pela arte. É preparar-se para uma profissão que combina formação humana e técnica, com uma miríade de especializações, que vão do domínio do texto à arquitetura de cenários, da administração de planilhas financeiras complexas à aplicação das últimas novidades tecnológicas. São milhares de pessoas envolvidas nas etapas de pré à pós-produção e distribuição de produtos audiovisuais.

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O SETOR QUE MAIS CRESCEU NO PAÍS

A expansão já dura mais de dez anos e o mercado vem se construindo sob bases que têm se demonstrado sólidas. A ANCINE publicou dois estudos que elucidam o que está acontecendo:

O primeiro documento é uma atualização anual do seu Estudo sobre Valor Adicionado pelo Setor Audiovisual – que tem como objetivo mostrar a relevância do setor dentro da economia e permite conhecer a contribuição do setor para a geração de renda no país. O segundo trouxe uma análise sobre o comércio exterior de serviços audiovisuais no Brasil. Mais do que isso, os relatórios e os dados mostram que há mercado e espaço para aqueles que buscam seu lugar neste meio.

O setor audiovisual cresceu 66% entre 2007 e 2013, o que equivale a uma expansão contínua de 8,8% ao ano no período. Esse percentual é significativamente superior à média de todos os setores da economia neste mesmo período.

Crescimento Sustentável

Esses resultados não seriam possíveis sem incentivos ou políticas que ajudassem na retomada do setor. Essa retomada ocorreu a partir da década de 90 com as leis de incentivo, como a Lei Rouanet e a Lei do Audiovisual, que funcionam da seguinte forma: os produtores pleiteiam autorização para captar recursos junto a empresas e pessoas físicas. Como contrapartida, elas recebem incentivos fiscais.

Num segundo momento, já nos anos 2000, o Estado começa a investir diretamente por meio da criação do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) como modalidade de financiamento das produções brasileiras. Por meio dele, o governo injeta recursos não só na produção de filmes, mas em partes anteriores (desenvolvimento de roteiros) e posteriores da cadeia produtiva, inclusive na distribuição e exibição (no cinema ou na TV), direcionando dinheiro público para o setor.

Mais recentemente, em uma cerimônia da Ordem do Mérito Cultural, o presidente Michel Temer anunciou que irá estender até 2022 os benefícios da Lei do Audiovisual, aumentando em 40% o orçamento do Ministério da Cultura (MinC) para 2017. Mesmo neste momento de crise – econômica e política – em meio a controvérsias sobre o destino do próprio Ministério da Cultura, o governo aponta para a continuidade dos programas de incentivo, pois não há como ignorar a importância do setor audiovisual no contexto econômico.

Foto: Alexandre Borges
ACORDOS DE COPRODUÇÃO

O mês de novembro ainda trouxe mais novidades para o setor.  No dia 24 de novembro o Senado aprovou três instrumentos internacionais muito importantes para o Audiovisual Brasileiro: o Protocolo de Emenda ao Convênio de Integração Cinematográfico e Audiovisual Ibero-americano, que respalda a CACI (Conferência das Autoridades Cinematográficas Ibero-americanas), o Ibermedia e demais programas de integração entre 22 países da América Latina e Península Ibérica; o Acordo de Coprodução com o Reino Unido e o Acordo de Coprodução com Israel. Todos eles combinam cinema e TV. Os três instrumentos foram aprovados, por unanimidade, no Senado Federal e na Câmara dos Deputados.

CONTEÚDO NACIONAL

Além da legislação, a exigência de programação nacional deu mais possibilidades para que o setor crescesse. A Lei nº 12.485 estabelece que canais de documentários, filmes, séries ou animações tenham pelo menos três horas e 30 minutos semanais de produção brasileira exibida durante o horário nobre, que vai das 18h às 0h, o que possibilitou a abertura de um mercado dedicado à produção audiovisual brasileira. Além disso, determina que em todos os pacotes ofertados aos assinantes, pelo menos um terço seja de canais brasileiros. As medidas contribuem a longo prazo para a formação de público consumidor de produções nacionais.

Essa regulamentação já mostrou resultados; um trabalho divulgado pelo Coletivo Intervozes, uma organização que trabalha pela democratização da comunicação, mostra um crescimento nos canais que veiculavam programação nacional: em 2010, eram sete canais com 21 horas de programação nacional; em 2015, eram 22.

De acordo com o estudo, a quantidade de séries produzidas e veiculadas no país também cresceu, de 73 produções em 2011 para 506 em 2014. Além disso, ao ampliar a escala da indústria audiovisual brasileira, a Lei nº 12.485 gerou uma demanda maior e mais estável às produtoras independentes.

TV A CABO E MÍDIAS DIGITAIS

A popularização da TV a cabo nos últimos anos também contribuiu para a ampliação do mercado no Brasil. Quando a lei surgiu e passou a exigir uma programação maior de conteúdo nacional, a TV por assinatura estava crescendo no Brasil. De acordo com o estudo da ANCINE, a TV aberta teve queda na sua participação no setor de 22,2 pontos percentuais no período de 2007 a 2014, já a TV por assinatura cresceu 21,4 pontos percentuais. Em 2014, pela primeira vez, o segmento de TV fechada foi responsável por mais de 50% do valor adicionado pelo audiovisual.

A Internet é outro fator chave, que oferece várias possibilidades de exibição de conteúdo, além da veiculação de anúncios em mídia digital a custos muito menores. Empresas como Netflix (que tem sua versão brasileira) e Globo Play, ambas produtoras de conteúdo original e distribuidoras de conteúdo original e licenciado, representam esse novo tipo de canal difusor, uma tendência mundial que vem reorganizando a forma de consumo de produtos audiovisuais.

MERCADO NACIONAL E INTERNACIONAL

Outro ponto relevante observado no estudo da ANCINE é o fato do Brasil ter importado US$1,1 bilhão em licenciamento de direitos de conteúdos audiovisuais, enquanto exportou US$ 81 milhões. Isso mostra que “há uma necessidade de seguir investindo em mais filmes e séries brasileiras para ocupar o mercado interno e aumentar as vendas para o exterior”, relata o diretor-presidente da ANCINE, Manoel Rangel, que apresentou os dados durante o Rio Market 2016, área de negócios do Festival do Rio.

Há mercado interno e externo a serem conquistados por produtores brasileiros, e um ritmo de crescimento que favorece os investimentos em produção audiovisual.

DEMANDA POR MÃO DE OBRA QUALIFICADA

Os dados simbolizam uma atividade em expansão, o que significa um mercado aberto para receber mão de obra, como indicou uma matéria do jornal O Globo, intitulada “Vagas no setor audiovisual têm salto de 28%”, vagas essas, abertas para todos os perfis, de nível técnico a executivo.

“Entre 2007 e 2014, os empregos diretos no setor saltaram de 132 mil para 169 mil em todo o país, um aumento de 28%. Quando o recorte se abre aos indiretos, o avanço foi de 257 mil para 327,4 mil em sete anos, alta de 27%. Ou seja, para cada emprego gerado no audiovisual, há 1,94 gerado em outros setores da economia, aponta pesquisa da ‘Tendências Consultoria’, elaborada a pedido da Motion Picture Association — América Latina (MPA-AL) e do Sindicato do Audiovisual (Sicav). O salário médio, em valores atualizados a 2016, subiu de R$ 2.890 para R$ 3.582”. (O Globo, 23/10/2016)

E como o mercado não está totalmente preparado para esse salto, está faltando mão de obra qualificada.

Para corroborar com a informação, o estudo sobre “Inteligência de Mercado Audiovisual”, divulgado pelo SEBRAE, em 2015, cita a grande demanda no setor, chamando a atenção para a necessidade de as empresas planejarem melhor suas ações a médio e longo prazos, além de se preparem mais para oferecer produtos e serviços de alta tecnologia agregada e qualidade para consumidores cada vez mais exigentes, assim como seus profissionais.

As tendências apontadas nesse estudo apontam para a inovação e criatividade. Antigamente, ou se fazia cinema ou vídeos institucionais. Atualmente, o que impera é a capacidade de contar histórias de diferentes formas, em diversas plataformas. É um mercado aberto.

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