Por que a trilha sonora no cinema faz toda a diferença? Entenda!

O cinema é uma produção audiovisual: ele não consegue se manter apenas em imagens, é preciso um balanceamento entre o visual e o auditivo. Desse modo, a trilha sonora no cinema é imprescindível. Você já pensou sobre como seria diferente assistir seu filme favorito sem nenhum som de fundo? Provavelmente, ele traria a você uma interpretação muito diferente.

Neste post, serão abordados mais detalhes sobre como a trilha sonora faz toda diferença nas produções cinematográficas. Então, não deixe de acompanhar!

O que é a trilha sonora no cinema?

Desde a primeira exibição de cinema, em 1895, pelos irmãos Lumière, até a instantaneidade das plataformas de streaming atuais, uma coisa permanece a mesma: a presença dos sons. Na era muda, como não era possível ouvir as vozes dos atores, a trilha sonora mostrava-se indispensável. Sem ela, não havia como ambientar a intensidade das cenas, o que traria maior dificuldade para prender a atenção do espectador.

Com a evolução dos equipamentos de captura e edição de som, cada vez mais, foi se aprimorando a junção de cada expressão visual com os ruídos: o que se apresenta como vital para essa indústria.

Mas afinal, o que de fato é? É importante salientar, logo no começo, que ela é diferente da trilha musical. É muito comum imaginar que a trilha sonora é apenas o apanhado de músicas que tocam durante a obra. Entretanto, ela vai muito além disso: é o conjunto de todas as nuances de sons presentes no filme.

Como funciona e quem é o responsável?

Entendendo sua importância, o próximo passo é descobrir como funciona a trilha sonora no cinema. Geralmente, ela pode ser composta especialmente para o filme, ou ser moldada com músicas já existentes. Há alguns casos em que o próprio diretor se encarrega da produção musical, mas o mais comum é ter um profissional específico para essa função.

Esse profissional responsável é chamado de music editor. Ele une as informações e desejos do diretor e os apresenta para um compositor, acontecendo, assim, a criação do som. Essa produção faz com que a trilha sonora consiga expressar os sentimentos do diretor com a obra, em todo seu rumo.

Qual a sua relevância nas emoções?

Além de moldar o destino da narrativa, a trilha sonora tem seu papel sinestésico. A música, por si só, tem a função de causar emoções e criar memórias afetivas nas pessoas. Desse jeito, somando isso a uma sucessão de imagens, nasce uma poderosa ferramenta capaz de mexer com o espectador em diversos níveis.

Uma simples cena de diálogo em um carro, por exemplo, pode causar as mais variadas emoções em quem assiste. Quando é colocada uma música de tensão, a sensação de que algo está prestes a surpreender vem a tona. Se é tocada uma música mais suave e delicada, sugere um envolvimento romântico entre os personagens.

Um instrumental épico remete a uma grande aventura. Um ruído perturbador promete um perigo eminente. Uma música melancólica insiste em encher os olhos de lágrimas. Aqueles momentos de silêncio causam um desconforto e tensão, e assim por diante.

Os ambientes emocionais que a trilha sonora cria são capazes de levar o espectador para onde o diretor deseja. Essa é a chave do bom desenvolvimento da obra.

E no cinema brasileiro?

Foi possível notar como a trilha sonora é parte vital em um filme, e não poderia ser diferente no cinema brasileiro. A música popular brasileira é um dos maiores feitos culturais do país e, integrada ao audiovisual, não poderia ser diferente.

Desde a marcante voz de Pixinguinha, no primeiro filme brasileiro com som, Acabaram-se os Otários (1929), essas indústrias nunca mais se separaram. Há diversos longas excelentes do cenário nacional para citar, mas, como exemplo, serão apresentados alguns nos seguintes tópicos.

Lisbela e o Prisioneiro

É possível se esquecer da marcante música Você não me Ensinou a te Esquecer, eternizada na cena do beijo, entre as grades, dos personagens Lisbela e Leléu? O filme, de 2003, dirigido por Guel Arraes, é uma adaptação de uma peça de teatro de Osman Lins, que teve a curadoria de João Falcão e André Moraes como responsável pelo som.

Ele conta a história das reviravoltas do destino de Lisbela (Débora Falabella) e o prisioneiro Leléu (Selton Mello), que passam por pressões externas, dúvidas e hesitações, até chegarem ao seu destino.

A música, citada anteriormente, ficou marcada pela inconfundível voz de Caetano Veloso, e foi tocada por diversos momentos românticos da obra. Desse modo, é possível ver como ela porta uma carga emocional importante para a história.

A trilha sonora inteira, aliás, é uma característica interessante desse filme. Ela é composta por diversas músicas bem conhecidas no cenário da MPB, como A Dança das Borboletas, interpretada por Zé Ramalho e Sepultura, Lisbela, interpretada por Los Hermanos, e Espumas ao Vento, interpretada por Elza Soares.

O Som ao Redor

Diferentemente de Lisbela e o Prisioneiro, O Som ao Redor (2012) conta com pouquíssimas músicas como trilha — e esse é seu grande charme. Ele é um thriller que conta a história de uma comunidade de classe média de Recife, sofrendo com problemas de segurança. O filme não se prende a nenhum personagem principal e em nenhuma trama específica: ele apenas aborda o retrato do cotidiano.

De tal modo, sua trilha sonora não poderia ser diferente. O longa, dirigido por Kleber Mendonça Filho, é um ótimo exemplo de como um simples som instrumental pode mudar completamente o sentimento da cena. As músicas foram compostas por DJ Dolores e passam justamente a mensagem do filme: momentos de tensão com quebras de expectativas, assim como a vida corriqueira da classe média.

Aquarius

Outro filme do renomado diretor brasileiro Kleber Mendonça Filho, estreado no ano de 2016, conta a história de uma jornalista (Sônia Braga) aposentada, recifense, que luta para defender o prédio em que mora de ser demolido por uma grande empreiteira. Assim como O Som ao Redor, ele usa uma trilha sonora simples, composta por Mateus Alves, que é perfeita para criar a atmosfera dos momentos.

Bacurau

Mais um com a marca registrada de Kleber Mendonça Filho, em Bacurau (2019), não poderia ser diferente. O filme conta a história de um povoado nordestino, em um Brasil futurista, que sumiu do mapa, e de como seus moradores lidam com as adversidades ao decorrer do enredo.

A trilha, composta por Tomaz Alves Souza e Mateus Alves, se encaixa de forma exemplar nos conflitos do longa, do modo que só esse diretor sabe fazer.

Bicho de Sete Cabeças

Como deixar de falar sobre Bicho de Sete Cabeças? Dirigido por Laís Bodanzky, em 2001, foi um marco da história cinematográfica brasileira. Baseado no livro Canto dos Malditos de Austregésilo Carrano Bueno, conta a história de como o relacionamento de Neto (Rodrigo Santoro) e seu pai (Othon Bastos) chega ao ponto crítico de ir parar em um hospício e de todas as situações desumanas que existem lá.

A música, que recebe o mesmo nome do filme, foi tão importante para a narrativa, que, sem ela, muito da mensagem teria se perdido. Ela tem um jogo de ritmo e letra que transmite uma agonia a quem está vendo, assim como a cabeça de Neto vai se tornando.

Além dessa música principal, a trilha sonora conta com Fora de Si, de Arnaldo Antunes, que conversa com o longa de forma impecável.

Com visto, a trilha sonora no cinema consegue mudar completamente o rumo da obra, e isso faz com que sua importância seja imensa. Além do mais, é muito comum que músicas criadas especialmente para filmes acabem se tornando famosas por si só, fazendo parte do dia a dia do espectador.

Gostou de saber um pouco mais sobre o universo das trilhas sonoras neste post? Então, não deixe de entrar em contato com a Academia Internacional de Cinema para mais informações como essas.


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