Os 10 filmes franceses mais premiados

O cinema francês não é apenas um queridinho da crítica por seu espírito inovador e movimentos de vanguarda, mas também pelo reconhecimento que muitos de seus filmes obtêm internacionalmente, em premiações importantes.

Para explorar algumas produções desse fascinante cinema, selecionamos aqui 10 filmes franceses que estão entre os mais premiados na história do país.

 

O Artista / The Artist (2011)

O Artista é um dos filmes franceses mais premiados de todos os tempos.

O longa em preto e branco escrito, dirigido e coeditado por Michel Hazanavicius foi o primeiro filme francês a receber o Oscar de melhor filme, além de ser o primeiro longa (quase totalmente) silencioso a vencer nessa categoria desde Asas / Wings (1927). Ao todo, foram dez indicações ao Oscar e cinco vitórias (inclusive como melhor filme, melhor diretor, melhor roteiro original e melhor ator).

O Artista também recebeu prêmios no Festival de Cannes, onde teve sua estreia, e foi indicado a seis Globos de Ouro, dos quais venceu três: melhor filme musical ou comédia, melhor ator e melhor trilha sonora original. Além disso, foi indicado a doze prêmios BAFTA (British Academy of Film and Television Arts), tendo vencido sete. Já na França, o longa recebeu dez indicações ao prêmio César e levou seis.

A história se passa na Hollywood do final dos anos 1920 e início dos 1930, acompanhando o relacionamento entre um ator conhecido por seu trabalho no cinema mudo e uma jovem estrela em ascensão, em uma época na qual os filmes silenciosos estavam sendo substituídos pelos filmes falados (os famosos talkies). Jean Dujardin e Bérénice Bejo interpretam o casal protagonista.

 

Elle / Elle (2016)

Elle rendeu a Isabelle Huppert o Globo de Ouro de melhor atriz.

O neo-noir psicológico, dirigido por Paul Verhoeven e estrelado por Isabelle Huppert, rendeu à protagonista uma indicação ao Oscar de melhor atriz. Ela interpreta uma empresária que é estuprada em sua própria casa por um invasor e decide não denunciar o caso à polícia por conta de traumas do passado.

O longa estreou no Festival de Cannes, onde foi aclamado pela crítica. Levou ainda o Globo de Ouro como melhor filme estrangeiro e o prêmio César de melhor filme – tendo sido indicado a onze categorias dessa importante premiação francesa. Embora Isabelle Huppert não tenha levado o Oscar pelo papel da perturbada Elle, ela venceu diversos outros prêmios como melhor atriz, incluindo o Globo de Ouro, César, National Society of Film Critics Award, New York Film Critics Circle Award, Los Angeles Film Critics Association Award, Gotham Independent Film Award e Independent Spirit Award.

 

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain / Le fabuleux destin d’Amélie Poulain (2001)

O Fabuloso Destino de Amélie Poulain foi indicado a cinco Oscars

O longa dirigido por Jean-Pierre Jeunet é um verdadeiro queridinho de público e crítica. Amélie (interpretada por Audrey Tautou) é uma garçonete parisiense solitária, de imaginação fértil, que vê beleza nas pequenas coisas. Com uma atmosfera de fábula, o espectador acompanha a protagonista em sua missão de tentar ajudar as pessoas à sua volta, enquanto ela sonha em viver um grande amor.

Amélie foi o filme francês de maior bilheteria nos Estados Unidos. Além do sucesso de público, foi muito bem recebido pela crítica internacional, por seu roteiro engenhoso e trilha sonora inesquecível. O longa foi indicado a cinco Oscars, tendo recebido o prêmio de melhor filme no European Film Awards, além de vencer quatro Césars (incluindo melhor filme e melhor diretor), e dois prêmios BAFTA (entre eles o de melhor roteiro original).

 

Piaf – Um Hino ao Amor / La Môme (2007)

Também conhecido como La Vie en Rose (por conta de uma das músicas mais famosas da protagonista), o musical biográfico conta a história de vida da lendária cantora francesa Édith Piaf. Coescrito e dirigido por Olivier Dahan, traz no papel principal uma arrebatadora performance de Marion Cotillard.

Por esse trabalho, Cotillard recebeu o Oscar de melhor atriz – sendo a primeira vencedora francesa nessa categoria em toda a história da premiação – e ainda o prêmio BAFTA como melhor atriz principal, o Globo de Ouro de melhor atriz em filme musical ou comédia, além do César. O filme recebeu também o Oscar de melhor maquiagem, assim como o prêmio BAFTA nas categorias de maquiagem, figurino e música, além de quatro Césars.

 

Caché / Caché (2005)

Caché: o diretor escreveu o roteiro especificamente para Juliette Binoche.

Embora seja uma produção conjunta entre quatro países (França, Áustria, Alemanha e Itália), o longa é falado em língua francesa. Trata-se de um suspense psicológico escrito e dirigido por Michael Haneke, estrelando Daniel Auteuil e Juliette Binoche. A história acompanha um casal de classe alta que começa a receber fitas de vídeo ameaçadoras, mostrando que a família está sendo vigiada.

O diretor escreveu o roteiro especificamente para Juliette Binoche. Vale ressaltar que ela é a única atriz francesa na história a ser nomeada a Oscars nas categorias de atriz principal (por Chocolate / Chocolat) e coadjuvante (por O Paciente Inglês / The English Patient). No caso de Caché, embora a performance de Binoche tenha sido elogiada, os prêmios recebidos pelo filme foram três Palmas de Ouro no Festival de Cannes (incluindo de melhor diretor), cinco prêmios do European Film Awards (inclusive de melhor filme), além de estar na lista da BBC dos 100 Maiores Filmes do Século 21. O fato de ter sido desqualificado para concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano de seu lançamento gerou controvérsias, já que muitos críticos acreditavam que o filme tinha grandes chances de vencer.

 

Meu Tio / Mon Oncle (1958)

O filme recebeu o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes

A comédia foi um primeiro dos longas do cineasta francês Jacques Tati a ser lançado em cores. Sua trama é centrada no personagem Monsieur Hulot (interpretado pelo próprio Tati). O humor se dá quando o protagonista entra em conflito com o mundo tecnológico pós-Segunda Guerra Mundial em que vivem sua irmã, cunhado e sobrinho, no qual não consegue se encaixar. A arquitetura moderna, a eficiência mecânica e o consumismo são abordados pelo roteiro do longa, que foi criticado como reacionário por uma sociedade francesa que estava abraçando a onda de modernização industrial da época.

No entanto, o filme se tornou extremamente popular, tanto na França quanto no mundo, tendo recebido o Oscar de melhor filme estrangeiro e o Prêmio Especial do Júri no Festival de Cannes (além de Jacques Tati ser indicado à Palma de Ouro). Foi considerado ainda o melhor filme estrangeiro pelo New York Film Critics Circle Award, além de participar e vencer em diversas outras premiações internacionais, tornando-se o filme mais premiado do cineasta.

 

Um Homem, Uma Mulher / Un Homme et une Femme (1966)

Escrito e dirigido por Claude Lelouch, tendo no elenco Anouk Aimée e Jean-Louis Trintignant, o filme conta a história de um jovem viúvo que conhece uma moça, também viúva, na escola de seus filhos. No decorrer da trama, as memórias de ambos os casamentos passados tornam o novo relacionamento bastante complicado. Entre os elementos marcantes no longa estão sua fotografia extraordinária, que mistura sequências coloridas com outras em preto e branco ou sépia, assim como a trilha musical memorável de Francis Lai.

Além de ser um enorme sucesso de bilheterias, tanto na França quanto nos Estados Unidos, o longa foi vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro e melhor roteiro original. Também venceu a Palma de Ouro no Festival de Cannes e recebeu dois Globos de Ouro (como melhor filme de língua estrangeira e melhor atriz para Anouk Aimée). Duas décadas depois de seu lançamento, o filme ganhou uma sequência, Um Homem, Uma Mulher: 20 Anos Depois / Un Homme et une Femme, 20 Ans Déjà (1986).

 

Indochina / Indochine (1992)

Dirigido e corroteirizado por Régis Wargnier, o filme se passa no período entre os anos 1930 e 1950, na Indochina colonizada pelos franceses, e conta a história da dona de uma fazenda e sua filha adotada, uma vietnamita. Como pano de fundo histórico está a ascensão do movimento nacionalista no Vietnã.

O longa venceu o Oscar de melhor filme estrangeiro, recebendo ainda uma indicação ao Oscar de melhor atriz (para Catherine Deneuve), além do Globo de Ouro, também na categoria de melhor filme estrangeiro. Foi indicado ao prêmio BAFTA de melhor filme em língua estrangeira e recebeu diversos prêmios César, entre os quais o de melhor atriz, melhor atriz coadjuvante (para Dominique Blanc), melhor fotografia, melhor som e melhor direção de arte, além de ter sido indicado em sete outras categorias da premiação. Levou ainda o prêmio Goya de melhor filme europeu.

 

A Noite Americana / La Nuit Américaine (1973)

François Truffaut interpreta um diretor atormentado por problemas em A Noite Americana

O longa de François Truffaut tem no elenco o próprio diretor, além de Jacqueline Bisset e Jean-Pierre Léaud. O nome do filme se refere ao processo cinematográfico em que cenas externas são gravadas à luz do dia usando um filtro de câmera que lembra a iluminação noturna, mais azulada. Em inglês, a técnica é chamada de day for night. A história acompanha com bom humor as dificuldades e imprevistos por trás das câmeras, durante a gravação de um filme.

O filme estreou no Festival de Cannes, porém fora da competição. Já na cerimônia do Oscar, venceu como melhor filme estrangeiro, além de ser indicado aos prêmios de melhor diretor, melhor roteiro original e melhor atriz coadjuvante. Foi indicado ainda ao Globo de Ouro, nas categorias de melhor filme estrangeiro e melhor atriz coadjuvante. Para completar, conquistou os prêmios BAFTA de melhor filme, melhor diretor e atriz coadjuvante para Valentina Cortese.

Enquanto A Noite Americana é indiscutivelmente o maior sucesso de Truffaut nos Estados Unidos, na França um dos filmes mais premiados do diretor é Os Incompreendidos / Les Quatre-Cents Coups, que venceu algumas das mais prestigiadas premiações do país, incluindo o prêmio de melhor diretor para Truffaut no Festival de Cannes.

 

O Discreto Charme da Burguesia / Le Charme Discret de la Bourgeoisie (1972)

Outro filme que vale ser citado é esta obra prima de Luis Buñuel, coescrita pelo diretor ao lado de Jean-Claude Carriére, que faz um comentário satírico sobre as convenções sociais e de classe. A história é focada em um grupo de convidados de uma festa da alta sociedade, que nunca chegam a jantar porque são constantemente interrompidos por acontecimentos surreais.

O longa foi gravado na França e, em sua maior parte, é falado em francês, embora tenha alguns diálogos em espanhol. Quanto às premiações, foi vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, tendo sido também indicado na categoria de roteiro original. Foi ainda indicado ao Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, além de vencer os prêmios BAFTA de melhor atriz para Stéphane Audran e melhor roteiro.

*Texto e pesquisa por Katia Kreutz – fotos divulgação

 


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