Fundo Setorial do Audiovisual (FSA)

Um dos maiores desafios, para os produtores de cinema, é conseguir recursos para tirar histórias do papel. Felizmente, algumas iniciativas públicas estão aí para fomentar a produção e reforçar um mercado que, apesar de ainda em crescimento, já mostra sinais de maturidade.

Embora a indústria cinematográfica no Brasil não seja tão estabelecida quando a hollywoodiana, é perceptível o enorme sucesso de filmes recentes nas bilheterias, tanto em salas de cinema nacionais quanto internacionais. Essa presença de produtores e diretores brasileiros no cenário mundial abre cada vez mais possibilidades de negócios e de desenvolvimento para o nosso mercado; o que, consequentemente, agrega profissionais e gera recursos para novas produções.

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Mesmo em tempos de vulnerabilidade econômica, o governo foi capaz de vislumbrar esse retorno para nossa indústria cultural e se tornou um verdadeiro parceiro dos produtores nesse mercado com tanto potencial lucrativo. Num contexto em que os produtores têm se informado, cada vez mais, sobre formas de viabilização, a Agência Nacional de Cinema (Ancine) e o Ministério da Cultura têm buscado, de maneira consistente, suprir essa demanda do audiovisual brasileiro por recursos, principalmente no que diz respeito a filmes de longa-metragem.

Nesse sentido, o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) é um mecanismo de incentivo muito bem-vindo. Uma das vantagens dessa fonte de recursos é que ela atende às empresas mais diversas, desde as já consolidadas até produtoras estreantes, de praticamente todos os estados do país. Nas linhas de TV, por exemplo, mais da metade dos contratos de investimento celebrados foram com proponentes que realizaram poucos projetos anteriores com recursos públicos.

Histórias de sucesso

Entre os filmes nacionais produzidos por meio do FSA, não faltam exemplos de produções bem-sucedidas, junto ao público e também à crítica. Hoje eu Quero Voltar Sozinho, de Daniel Ribeiro, chegou a ser o representante brasileiro na disputa pelo Oscar de filme estrangeiro, há alguns anos.

Na lista de longas de sucesso nas telas de cinema estão ainda Praia do Futuro, de Karim Aïnouz; Faroeste Caboclo, de René Sampaio; Boa Sorte, de Carolina Jabor; Rio Corrente, de Paulo Sacramento; Entre Nós, de Pedro e Paulo Morelli; Somos Tão Jovens, de Antonio Carlos da Fontoura; Irmã Dulce, de Vicente Amorim; Os homens são de Marte e é pra lá que eu vou, de Marcus Baldini; Chico Xavier, de Daniel Filho; Qualquer Gato Vira-Lata 2, de Tomas Portella; Xingu, de Cao Hamburger; O Palhaço, de Selton Mello; e Os Amigos, de Lina Chamie, cineasta e professora da Academia Internacional de Cinema (AIC).

As comédias, em especial, proporcionaram retornos financeiros consideráveis para o FSA, em certos casos até dobrando o valor investido. Entre as mais vistas pelo público – e também mais lucrativas – estão De Pernas pro Ar, Até que a Sorte nos Separe e Loucas pra Casar, de Roberto Santucci; Cilada.com, de Bruno Mazzeo; e Minha Mãe é uma Peça, de Andre Pellenz.

Produtores menores e filmes de estados fora do eixo Rio/São Paulo também têm seu espaço entre os contemplados pelo fundo, que preza pela diversidade de vozes no cinema brasileiro. Nas chamadas públicas mais recentes para produções independentes, foram aplicados recursos em projetos de Santa Catarina, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Amapá e Distrito Federal.

Sobre o Fundo

O FSA é composto por recursos federais, destinados ao desenvolvimento de toda a cadeia produtiva do audiovisual no país. Criado em 2006 e regulamentado em 2007, o fundo recolhe taxas geradas dentro da própria atividade audiovisual e reinveste esse dinheiro em projetos como:

  • Desenvolvimento, produção e distribuição de obras para cinema e TV (longas-metragens e séries);
  • Desenvolvimento de jogos eletrônicos;
  • Ações de infraestrutura (como a construção e modernização de salas de cinema);
  • Financiamento de empresas de pós-produção;
  • Inovação e capacitação profissional.

O FSA reúne, atualmente, um conjunto de editais, operados principalmente pela Ancine, mas também pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura, ou em parcerias com secretarias de cultura e outros órgãos estaduais e municipais, por meio de editais regionais de investimento – como os da SP Cine e Riofilme.

Para quem quer produzir um projeto audiovisual, vale pesquisar sobre as diversas linhas de ação do fundo, com programas direcionados a todos os segmentos da indústria, incluindo o PRODECINE (Programa de Apoio do Desenvolvimento do Cinema Brasileiro), o PRODAV (Programa de Apoio do Desenvolvimento do Audiovisual Brasileiro) e o PROINFRA (Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Infraestrutura). 

Passo a passo

  1. O primeiro passo para buscar recursos do FSA é ter uma empresa registrada na Ancine e classificada como agente econômico brasileiro independente. Essa é a condição inicial para acessar a maioria das chamadas públicas.
  2. O segundo passo é ler os textos das chamadas, publicados no site: http://www.brde.com.br/fsa/. A partir daí, é necessário elaborar uma proposta de acordo com o perfil do projeto que o produtor deseja inscrever, tendo em vista todos os requerimentos do edital e prestando muita atenção aos prazos.
  3. O proponente deverá então preencher a inscrição eletrônica específica para seu processo de seleção, disponível no Sistema FSA/BRDE, apresentando também todos os documentos solicitados.
  4. Os projetos passam por uma triagem documental, para verificar se estão aptos a serem analisados. Por fim, a análise leva em conta quesitos como coerência, relevância e experiência da equipe envolvida.
  5. O produtor precisa estar atento aos comunicados no site e verificar as listas de projetos deferidos.

Dica dos profissionais da AIC: A melhor forma de acessar os recursos do FSA é elaborar um projeto relevante e bem escrito. Um ponto que merece atenção é o descritivo do projeto, já que os textos de apresentação e de justificativa devem ser claros e objetivos, atendendo às demandas do edital. Se possível, tente também encontrar um parceiro, tanto uma empresa coprodutora quanto um distribuidor ou canal de televisão disposto a contribuir para tornar o projeto uma realidade.

A visão dos produtores

Uma das grandes dificuldades dos produtores iniciantes diz respeito aos documentos de inscrição exigidos pelos editais. Outro desafio é adequar o projeto aos formulários, que estabelecem um formato padrão de apresentação das propostas. Tanto no FSA como em qualquer outro concurso, é preciso prestar muita atenção às regras e detalhes, para que os requisitos de participação sejam plenamente atendidos.

De modo geral, para inscrever um projeto em um edital público, o produtor executivo precisa saber interpretar o roteiro, conhecendo suas necessidades no que diz respeito aos recursos humanos, técnicos, artísticos e logísticos. Essas informações permitem ao profissional traçar um orçamento e um cronograma corretos.

No caso de produtores que ainda não possuem muita experiência no mercado audiovisual, é aconselhável começar com concursos mais simples do que o FSA, como o Prêmio Estímulo ao Curta-Metragem (fique atento, os primeiros editais devem ser lançados ainda no mês de março) ou editais privados. Assim, pode-se aprender a visualizar e orçar bem um projeto, antes de partir para fontes de recurso de maior complexidade.

Ideias no papel

Mas como aprender a preparar o projeto perfeito? Como tudo na vida, é uma questão de prática: o produtor aprende errando e acertando. Uma possibilidade é buscar cursos na área de produção, que tenham aulas especificamente sobre pitching e inscrição de projetos em editais e leis de incentivo. Afinal, esse é um mercado que depende muito de recursos públicos, por isso estar preparado para defender seu projeto é sempre uma habilidade valiosa.

Lembre-se: você não vai conseguir aprovar todos os projetos que inscrever. “O importante é continuar tentando e não desistir”, observa Alessandra Haro, professora de Produção na Academia Internacional de Cinema. Uma vez que a defesa do projeto esteja no papel, o trabalho maior já foi feito. Ou seja: se não for aprovado no FSA, basta buscar outros editais ou concursos e fazer os ajustes necessários. É sempre um exercício.

Outra dica de Alessandra é entrar em contato com o órgão que vetou o projeto e descobrir as razões pelas quais ele não foi aprovado. “Essa é uma forma de entender o que deu errado, em que aspectos ele poderia ter pontuado melhor e ser bem-sucedido em uma tentativa futura”, explica.

Além de conhecer o funcionamento do fundo e as regras do edital em que se pretende inscrever, é interessante participar de festivais de cinema e de outros eventos do mercado. Eles são fundamentais para ter contato com produtores mais experientes e conhecer a trajetória de projetos vencedores.

O que esperar para 2018

De acordo com Leonardo Lima, professor no curso de Produção Executiva da AIC e servidor da Ancine no cargo de especialista em regulação, este ano devem ser implementados ajustes nas regras de acesso e de avaliação das empresas e de projetos para o FSA. Algumas mudanças já foram aplicadas no novo edital, lançado em março de 2018, voltado à produção de longas-metragens para o cinema.

“O Ministério da Cultura, através da Secretaria do Audiovisual, recentemente anunciou também o lançamento de editais voltados a políticas afirmativas, com cotas para mulheres, negros, indígenas e projetos de empresas localizadas fora do eixo Rio/São Paulo”, ressalta Leonardo. Só para esses editais, está prevista a alocação de R$ 80 milhões. O orçamento total do FSA este ano deve ficar em torno de R$ 700 milhões, permanecendo no mesmo patamar de 2017.

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* Escrito por Katia Kreutz. Fontes consultadas para esse artigo, professores da Academia Internacional de Cinema: Leonardo Lima e Alessandra Haro


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