Curtas-documentários discutem o empoderamento da mulher negra

Dia 6, sábado, às 14h, acontece a exibição de dois curtas-documentários produzidos por alunas e alunos da última turma do Curso de Documentário da Academia Internacional de Cinema (AIC) de São Paulo, no Cine Matilha. Os filmes retratam o universo da mulher negra e seu percurso de empoderamento.

Esse Bumbo é Meu”, dirigido por Paula Simões, Ruy Reis, Dagmar Serpa, Daniel Mirolli e Marina Chekmysheva, apresenta a luta, preconceitos e conflitos vividos pelas mulheres do samba que tentam manter viva a cultura de seus ancestrais, o samba de bumbo, expressão musical tradicional do interior paulista, herança do tempo da escravidão.

Julio Wainer, professor e sócio mantenedor da AIC, diz que o filme trabalha com uma sofisticada camada de interesses e disputas. “Herdeira da tradição familiar, a personagem Luciana Fernandes transgride ao comentar o samba de bumbo na qualidade de mulher, em um grupo só de mulheres. Ao mesmo tempo, o grupo é colocado em segundo plano em função da presença avassaladora do sertanejo…”

Paula Simões, uma das diretoras do filme, diz que escolheram o tema por ser uma tradição marginal em relação a grande mídia, principalmente por ser local e negra. “Fazer o filme foi um presente, pudemos mergulhar em um universo em que o feminino é praticamente a força motriz de sobrevivência dessa cultura através das diferentes gerações. É interessante observar o despertar que esse documentário causou em mim e na equipe”.

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Carolina – O filme”, de Camilla Lima, Fernanda Pithan, Jéssica Cruz, Natália Francis e Felipe Nunes revela a história da migrante, negra, favelada e mãe solteira, Carolina Maria de Jesus que escreveu o livro “Quarto de Despejo”, publicado nos anos 60, que estabelece pontos que se fundem com a trajetória da poeta Tula Pilar.

Julio Wainer comenta: “Acreditava-se que um favelado jamais poderia escrever daquela maneira. Essa discussão, sobre linguagem e exclusão social é atualizada no documentário social, quando populações excluídas fazem a narrativa de suas próprias vidas”.

“A Carolina caiu nas nossas mãos por um acaso do destino! Faltando por volta de um mês para as gravações, nós estávamos seguindo um caminho totalmente diferente, quando encontramos a Pilar (uma das estrelas do filme)! Foi através dela que descobrimos o universo encantador da vida de Carolina.Fazer esse filme foi muito importante para nós e acredito que ele seja de extrema relevância para o debate do empoderamento feminino”, conta Fernanda Pithan,uma das diretoras do filme.

Além da exibição dos dois filmes e do bate-papo com os realizadores, o evento traz a apresentação do Grupo de Samba de Bumbo de Dandara, da poeta Tula Pilar que, além do espetáculo musical, apresenta uma cena da peça teatral inspirada em sua história e na de Carolina de Jesus.  Muita arte e discussão de primeira: empoderamento feminino, poesia e samba. Não dá para perder!

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