Brasil de Todas as Telas lança edital no próximo dia 12

Julio Wainer, sócio-diretor e professor da Academia Internacional de Cinema (AIC), acaba de voltar do Seminário de Programação da Linha de Produção de Conteúdos destinados às TVs Públicas, que aconteceu em Brasília. Trouxe novidades: “Produtores audiovisuais de todo país terão oportunidades”, afirma. Confira o que Julio escreveu sobre o novo edital que será lançado no próximo dia 12.

“O programa Brasil de Todas as Telas – do governo Federal (ANCINE, EBC e SAV –Sec. do Audiovisual do MinC) – lança na próxima sexta-feira (12), um edital com oportunidades para produtores independentes do todo o país.

Trata-se de uma linha de programação destinada às TVs do campo público (TVs universitárias, comunitárias e educativo-culturais). Os recursos, no entanto, irão necessariamente para produtores independentes cadastrados na ANCINE e vencedores do edital.

São 60 milhões para séries e produtos de ficção, documentário e animação, distribuídos igualmente nas cinco regiões. Para a região sudeste, há a dedicação de R$ 3 milhões para São Paulo e outros R$ 3 milhões para o Rio de Janeiro.

Antes, um estudo minucioso georeferenciado da ANCINE mapeou todas as TVs, definiu o caráter de sua programação a as vocações de cada região do país (no tocante aos gêneros audiovisuais).

A programação será dividida em faixas “infantil”, “jovem” e adulto” e os conteúdos foram pautados por outro seminário, que aconteceu em outubro, também em Brasília.

Algumas das questões principais são o enfrentamento da escravidão negra no Brasil, que mais de um século depois ainda não superou suas marcas, pela ausência de um processo de superação, o que inclusive contribuiria para a exclusão e a criminalidade no país. Outro tema é a grande migração, onde o antropólogo Luis Eduardo Soares alega que nada no séc. XX se compara ao deslocamento de 35 milhões de pessoas do campo para as cidades, criando condições para a proliferação de novas religiões que se propagam Brasil afora. A necessidade de consolidação de lendas e mitos é outro tema que terá destaque. Para o segmento “jovem” ficou claro que essa faixa exige participar da elaboração das mensagens, e não apenas ver-se representada na tela.

Os valores com que se trabalhava são de R$ 7.000/minuto de animação; R$ 5.000/minuto de ficção e R$ 2.000,00 a 3.000,00 o minuto de programação documental. Depois de um ano em exibição sem custos para emissoras do campo público, os produtores poderão comercializar os programas.

Para o secretário do audiovisual Mario Borgneth, ‘as TVs do campo público tem o dever de inovar, e isso implica em riscos. Se não fizerem, quem o fará?’.

A expectativa de propostas criativas por parte dos proponentes é dada pela própria composição da equipe: são oriundos do projeto Doc TV, que trouxe às telas boa parte da nova geração de cineastas espalhados pelo país.

Em janeiro acontecerão oficinas por todas as regiões, para que as produtoras interessadas se aproximem do formato esperado de apresentação de projetos.”

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