A Nova Lei da TV Paga

A produtora Laura Fazoli, coordenadora do curso de Produção Executiva da AIC, está “antenada” nas novidades da Lei da TV Paga, que parecem aquecer ainda mais o mercado audiovisual. Confira entrevista exclusiva com a Laura sobre o a nova Lei n. 12. 485.

Quais são as principais mudanças com a nova lei da TV Paga?

L.F.: Com a nova lei, qualquer pacote de TV a cabo tem que ter 1/3 de canais nacionais. Além disso, todos os canais tem que cumprir a cota de produção nacional independente. Isso gera mais conteúdo, maior concorrência e maior fomento no setor. A lei entra em vigor a partir de 1º de setembro de 2012, depois de quatro anos de trâmite no Congresso Nacional. Desde setembro de 2011 passa por ajustes, principalmente no quesito fiscalização. Empresas internacionais como a Turner (Time Warner) ou a Discovery, por exemplo, que antes tinham conteúdos iguais para o mundo inteiro, agora terão que se adaptar a uma programação brasileira. O bom disso é que na maioria das vezes as programações são transmitidas por área e o Brasil entra como América Latina, então, o conteúdo nacional será na maioria dos casos transmitidos para toda a América Latina. Além disso, haverá muito mais conteúdo nacional em todos os canais e canais como Canal Brasil, por exemplo, antes presos a pacotes mais caros, deverão entrar nos pacotes básicos das operadoras.

Uma das exigências privilegiam a produção nacional, exigindo ao menos três horas e meia de atração semanal brasileira no horário nobre da programação, certo? Como as produtoras podem se beneficiar dessa novidade?

L.F.: A princípio as distribuidoras vão se beneficiar mais do que as produtoras, pois, todos estão correndo contra o tempo para suprir as cotas, porém, a maioria dos grandes canais está se mobilizando com coproduções, que devem “dar as caras” no ano que vem. Isso gera maior concorrência e maior profissionalismo. Coisa que no Brasil ainda estamos deixando a desejar. Nesse quesito, quem souber realizar um bom pitching e apresentar um projeto coerente sai ganhando.

O que essas mudanças acarretam para as pequenas e grandes produtoras?

L.F.: Sendo independentes, não importa se pequenas ou grandes, a demanda de trabalho vai aumentar. Logicamente, para quem quiser trabalhar. As possibilidades de trabalho serão cada vez maiores e, mais uma vez, a obrigatoriedade da profissionalização dos conteúdos e das empresas. Se a principio todos terão chances, em um futuro breve só restarão as “produtoras profissionais” no sentido amplo da palavra.

Você participou recentemente do Fórum Brasil TV. Quais as maiores novidades anunciadas nas mesas redondas e palestras?

L.F.: O Fórum Brasil TV veio a concretizar algo que no Rio Content Market de fevereiro desse ano já estava em voga. O que produzir, como produzir e para quem produzir. As TVs que antes estavam “perdidas”, sem saber qual caminho seguir e que linha adotar para aquisição desses conteúdos, agora estão um pouco mais esclarecidas e podem direcionar melhor os trabalhos deles e das produtoras. Assim, as novidades foram de entender como trabalhar com essas TVs e com a nova lei. Muitas ainda trazem formatos norte-americanos como exemplo e, nesses casos, deverá haver uma fusão de valores até chegar num denominador comum para uma boa produção.

Quais os diferenciais do Curso de Produção Executiva da AIC?

L.F.: O Curso de Produção Executiva da AIC, além de preparar para administrar e confeccionar projetos tanto para cinema quanto para TV, amplia o olhar sobre o mercado em geral. Muitas produtoras que trabalhavam exclusivamente com cinema, hoje em dia em função da nova lei, já pensam em séries de TV e TV Movie, termo antes só usado nos EUA, para designar filmes feitos para TV. Não se trata de uma categoria menor e sim de outra categoria. Podemos usar como exemplo produtoras como a O2, a Pródigo Filmes e a Academia de Filmes que atuam em todos os segmentos.