Uma Ponte Entre Brasil e Índia

Franthiesco Ballerini, Coordenador de Cursos Livres e professor dos cursos de História do Cinema, (no qual trabalha os principais movimentos cinematográficos) e Estudos de Direção, (no qual faz uma análise de alguns dos principais diretores) da Academia Internacional de Cinema (AIC), lança artigo em livro que fará parte do acervo da Biblioteca Ibero-Americana em Berlim, considerada a maior biblioteca da Europa com acervo de obras latino-americanas. O livro “Sur South – Poetics and Politics of Thinking Latin America / India” é uma coletânea de artigos que tratam das semelhanças e diferenças culturais entre Brasil e Índia, e Franthiesco fala de sua especialidade, o cinema: Cinema como ponte cultural entre Brasil e Índia? Uma abordagem comparativa baseado numa experiência pessoal.

Imagem de divulgação

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ÍNDIA X BRASIL

O título do artigo “Cinema como ponte cultural entre Brasil e Índia? Uma abordagem comparativa baseado numa experiência pessoal” foi escolhido porque para Ballerini era importante “fazer conexões entre o cinema indiano e brasileiro, que são bem díspares. E nele, há um “comparativo da indústria autossustentável indiana, que produz mais de mil filmes por ano, e a indústria brasileira, ainda dependente de incentivos fiscais. Mostro os pontos positivos de um e de outro. Na Índia, um filme paga outro, a pós-produção de imagem e som é fantástica, de ponta, referência no mundo, mas os roteiros são muito fracos, há uma forte censura do estado a temas ligados a sexo ou desigualdades sociais. Já no Brasil, nossos roteiros e histórias são mais elaborados, mas a pós-produção de qualidade é coisa para poucos, para os grandes orçamentos. Porém, a maior diferença é que o indiano gosta de se ver no cinema, o brasileiro ainda está reaprendendo isso. O cinema na Índia é tão poderoso quanto nossas novelas foram no Brasil no século passado”.

Apesar de bastante distintos, os dois países possuem “povos alegres e simpáticos. A violência aqui é chocante e lá é centrada na mulher (estupro). São países muito pautados pela religião em tudo que fazem e as artes são muito melodramáticas, altamente emotivas, com muita música e dança” compara Franthiesco.

 O COMEÇO

Uma entrevista, uma viagem e muito material. Esse foi o início de uma história que já dura nove anos e teve início com uma curiosidade sobre o diferente. Assim conheceu esse mundo fantástico, criativo e por que não dizer pitoresco, que é o cinema indiano.

 O INTERESSE

A partir de um release sobre uma mostra de filmes indianos, que estava sendo organizada por Ram Devineni, sócio e conselheiro da AIC e dono da produtora Rattapallax Films, Franthiesco teve acesso a um mundo completamente diferente de tudo o que vira até ali. De uma conversa despretensiosa a uma viagem de um mês ao mundo cinematográfico indiano, foi um pulo. Na bagagem de volta, histórias interessantes e peculiares como quando fala sobre a censura no país: “vi quase uma centena de filmes e em nenhum deles há sequer um beijo na boca. A censura do estado é forte, influenciada pelo hinduísmo, então, os atores chegam muito perto de beijar e o filme acaba” relata Franthiesco, ou ainda, a veneração que os atores causam na grande massa, “certos atores são tão venerados que possuem templos de adoração e eu conto tudo isso em detalhes no ‘Diário de Bollywood’” relata Ballerini. Dessa experiência, ainda nasceram reportagens especiais para jornais e revistas, um documentário em metra-metragem, o Bollyword, e o contrato com uma editora para a publicação do primeiro livro em língua portuguesa sobre o cinema indiano – Diário de Bollywood – Curiosidades e Segredos da Maior Indústria de Cinema do Mundo (2009).

 

Foto de Divulgação

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E foi devido à repercussão na mídia das reportagens especiais publicadas em 2008 e ao lançamento do livro em 2009, que alguns pesquisadores alemães, ligados à Biblioteca Ibero-Americana em Berlim, convidaram Franthiesco para um colóquio, que iria ocorrer em 2011. Nesse evento, os palestrantes deveriam discorrer sobre o tema de sua especialidade e para o coordenador, “o evento gerou frutos riquíssimos. Eu e outros palestrantes não conhecemos nenhum evento que tenha ocorrido até hoje que fora tão rico na discussão sobre as similaridades e disparidades culturais entre Brasil e Índia, países tão distantes geograficamente, mas tão parecidos socialmente”.

 

“CINEMA COMO PONTE CULTURAL ENTRE BRASIL E ÍNDIA? UMA ABORDAGEM COMPARATIVA BASEADO NUMA EXPERIÊNCIA PESSOAL”.

O livro “Sur South – Poetics and Politics of Thinking Latin America / India” é uma coletânea de todos os artigos apresentados no evento. Lançado em 2016, conta com a organização de Susanne Klengel e Alexandra Ortiz Wallner, e para Franthiesco é ”um material valioso, que traz especialistas feras da Índia e do Brasil no campo de produção cultural”, e ter seu artigo no acero da Biblioteca Ibero-Americana é uma honra para o coordenador, que considera a instituição “um patrimônio da humanidade”.

 Serviço:

Por enquanto, a publicação estará disponível na Biblioteca Ibero-Americana de Berlim e em algumas instituições parceiras, como a Freie Universität de Berlim. Quem tiver interesse na leitura poderá entrar em contato no link abaixo:

http://www.lai.fu-berlin.de/pt/kontakt/index.html

 VOCÊ CONHECE A ÍNDIA?

O país tem uma população com mais de 1,30 bilhão de habitantes, o que faz dele o segundo mais populoso do mundo, atrás apenas da China; tem uma história que começa nos anos de 3000 a. C. O nome oficial é República da Índia e sua capital é Nova Délhi. São 28 estados em 07 territórios federais, numa área de 3.287.782 km² (localizada no centro-sul da Ásia).

Foi colônia britânica até 1947, quando obteve a independência com Mahatma Gandhi; São reconhecidas 744 tribos distintas no país. As línguas e dialetos somam mais de 400. As línguas oficiais são o hindi e outros 18 idiomas; O hinduísmo é a religião mais popular do país, seguido por 81,5% dos indianos. A segunda religião com maior número de adeptos é o islamismo, com 12,2%.

É o único país onde o Big Mac é diferente. Lá é servida uma variação feita com frango, pois a maioria da população não come carne bovina, por considerar a vaca um animal sagrado.

A Índia é a maior produtora de softwares do mundo e a quarta maior potência militar do planeta. É a maior democracia do mundo. A cada eleição, cerca de 815 milhões de pessoas vão para as urnas. A previsão é de que, em 2 050, a Índia seja o país mais populoso da Terra, com cerca de 1,6 bilhão de pessoas.

E tem o Taj Mahal, considerado uma das mais importantes construções da História da Humanidade. A complexidade de seu traçado arquitetônico coloca esse mausoléu ao lado das mais perfeitas construções já realizadas pelo homem. E sua história remete ao amor do imperador Shah Jahan pela sua segunda esposa, Aryumand Banu Began, carinhosamente apelidada pelo marido de Muntaz Mahal, que significa “a primeira dama do palácio”.