Thais Fuji abre Semana de Orientação

Quem esteve no primeiro dia da Semana de Orientação 2013 e escutou a palestra da roteirista e diretora Thais Fujinaga foi levado aos “Jardins de Academus”, onde Platão se reunia com seus discípulos para filosofar, discutir. De uma forma quase poética, Thais levou todos os participantes – que lotaram o estúdio da AIC – a retomar a origem etimológica das palavras academia e conhecimento. “Academia é um termo grego, que designa lugar, um local para discussão de assuntos específicos. Já a palavra conhecimento significa “conascimento”. Nascer junto com o que se conhece, ou seja, conhecimento acadêmico é um ato de criação. É como diz o trecho do poema ‘O Guardador de Rebanhos’, de Fernando Pessoa: ‘É o que vejo a cada momento, é aquilo que nunca antes eu tinha visto, e eu sei dar por isso muito bem… sei ter o pasmo essencial que tem uma criança se, ao nascer, reparasse que nascera deveras… sinto-me nascido a cada momento…”, falou Thais.

Thaís conclui a primeira parte da sua reflexão falando da importância do artista renascer e renovar sua sensibilidade, de refletir sobre o conhecimento acadêmico como uma possibilidade de fazer o novo. Para ilustrar, Thais trouxe os exemplos de alguns projetos que são feitos semestralmente no FILMWORKS, como o projeto de autorretrato, ou o exercício de fazer uma notícia de jornal virar um curta e a produção de um documentário sobre um personagem específico, pesquisado pelo aluno.

Segundo Thais, um dos maiores desafios das escolas de arte de hoje é a de formar artistas empreendedores “essa é a missão da escola”, revela. “O cinema é uma arte coletiva, sei que essa frase é um clichê, uma obviedade. Mas, os coletivos audiovisuais – pessoas que se juntam de forma autônoma dentro de um grupo, reavivam o sentido dessa frase. Os coletivos são pessoas que realizam seus projetos e participam dos projetos dos outros participantes do grupo, incentivando assim um rodízio de funções. Isso é uma espécie de extensão das academias. Filmes que estão sendo feitos através desse fenômeno são as grandes promessas do cinema brasileiro”, conta.

Para dar ainda mais peso a seu discurso, ela convida os espectadores a assistirem ao trecho de filmes feitos por grandes cineastas de uma mesma geração – Steven Spielberg, Francis Ford Coppola, George Lucas e Martin Scorsese – e revela o que seus filmes têm em comum. “Eles formam a geração que salvou Hollywood, a primeira geração de cineastas saído de escolas de cinema. Não estudaram nas mesmas faculdades, mas tem uma relação muito próxima de trabalho. É muito interessante observar a quantidade de obras primas que foram filmadas nessa época, por pessoas que saíram das escolas de cinema. Essa geração renovou tematicamente o que era feito em Hollywood, eles continuaram usando a lógica de entretenimento hollywoodiana, mas a subverteram tematicamente, mostrando os problemas da época. As grandes revoluções de linguagem ou de produção são resultado de um agrupamento de pessoas”, finaliza, na intenção de contagiar os novos alunos de cinema.

Além da palestra cativante e encorajadora da professora Thais, o primeiro dia da Semana de Orientação contou com a exibição dos filmes “Professor Godoy”, “Ontem”, “Momento de Transição”, “Variações sobre um mesmo tema”, “O Traveco“, alguns dos premiados no Filmworks Film Festival e, ao curta “L”, de Thais Fuji.

 

*Fotos Alessandra Haro