“SE POR ACASO” NO FESTIVAL DO RIO DE JANEIRO

O Festival do Rio começa no dia 06 de outubro, mas o curta-metragem “ Se por Acaso”, do Professor de Direção e Atuação e Coordenador do curso de Formação Livre em Atuação, Pedro Freire, da Academia Internacional de Cinema (AIC), selecionado para o Festival, já nasceu premiado.

O FILME

“Se por Acaso” veio de uma experiência do diretor com ninguém menos que Abbas Kiarostami (cineasta iraniano), “um dia ele apareceu na minha filmagem e criticou minha câmera, era uma dessas câmeras fotográficas, DSLR, e ele disse que não gostava muito delas, preferia uma camerazinha simples, que quase parecia de celular. Eu perguntei por quê? Ele respondeu: “Porque são complicadas para filmar, tem que fazer foco, ajustar o diafragma, essas coisas. Assim a relação que você estabelece com o mundo passa demais pela máquina. Quando eu tenho uma ideia para um poema eu pego um lápis e escrevo, e com o cinema não deveria ser muito diferente.” Esse curta é inspirado por essa ideia. Eu saí com a câmera e encontrei crianças maravilhosas que viram a câmera e disseram que queriam fazer um filme. Eu perguntei sobre o quê, eles disseram de zumbi. Tudo partiu disso, para se tornar um filme romântico no final” relata Pedro.

Pedro Freire - foto: Divulgação

Pedro Freire – foto: Divulgação

Pedro também conta que o curta foi filmado durante um workshop do diretor iraniano Abbas Kiarostami, na Escola de Cinema de Cuba, “neste workshop, nós deveríamos pensar uma ideia a partir dos elementos disponíveis, cenário, pessoas etc. Então, todo o filme, da ideia inicial até o primeiro corte, foi feito em dez dias, sempre com a supervisão de Kiarostami, que aprovava ou criticava a ideia inicial, passava pelas filmagens e aprovava ou criticava o primeiro corte. No último dia de filmagem, eu tive uma ajuda valorosa de três alunos da Escola de Cinema, mas no geral eu estava sozinho mesmo, fazendo câmera, som, produção, depois edição, tudo sozinho – não recomendo para quem tem problemas de coluna” alerta o professor.

ABBAS KIAROSTAMI

Abbas Kiarostami nasceu em Teerã, em 22 de junho de 1940, seu envolvimento com o cinema começou em 1969, quando foi nomeado diretor do Departamento de Cinema do Instituto para o  Desenvolvimento Intelectual de Jovens e Adultos do Irã, a partir daí, filmou suas primeiras obras.

Ficou conhecido por juntar documentário e ficção e era considerado um dos mais influentes diretores de seu país e se destacou com filmes como “Gosto de Cereja, ganhador da Palma de Ouro do Festival de Cannes em 1997, e “O Vento nos Levará, vencedor do Prêmio Especial do Júri do Festival de Veneza de 1999.

Pedro fala sentido sobre a morte do cineasta: “Kiarostami, infelizmente veio a falecer poucos meses após nosso encontro, que foi muito marcante. Nesses dez dias, entre outras coisas, ele falou muito sobre o formato do curta-metragem, criticou o que ele chamou de um preconceito bobo, mas muito disseminado na indústria de cinema no mundo todo; de que o curta seria de alguma forma menor do que o longa. Como se o curta fosse um caminho para se chegar evolutivamente ao longa. Ele dizia que isso era uma bobagem tão grande quanto dizer que um poema seria menor do que um romance, e revelou que filmava pelo menos um curta por mês e escrevia um poema por semana há mais de dez anos. Ele disse que hoje em dia fazia longas para poder ganhar dinheiro para continuar fazendo curtas”, conta um saudoso diretor.

Foto: Divulgação

Pedro Freire – Foto: Divulgação

O FESTIVAL

Criado em 1999, o Festival do Rio está entre os maiores e mais importantes do Brasil. Surgiu a partir da junção entre a Mostra Banco Nacional e o Rio Cine Festival, eventos permanentes no calendário cultural da cidade desde os anos de 1980, e desde então, não para de crescer.

Serão 48 obras brasileiras na programação: 35 longas e 13 curtas-metragens, somando as mostras competitivas e não competitivas da Première Brasil, as homenagens e outros títulos nas diferentes mostras do evento.

O Troféu Redentor concedido pelo júri oficial será dado para os melhores nas categorias das mostras competitivas de Ficção, Documentário, Curtas e Novos Rumos, mas o público também poderá escolher os melhores filmes de Ficção, Documentário e curta-metragem.

A mostra competitiva Novos Rumos traz uma mistura de cineastas estreantes e veteranos, e na mostra Retratos Falados, os quatro longas abordam temas políticos e sociais.

As homenagens deste ano são para os 15 anos de lançamento de “Lavoura Arcaica“, longa de Luiz Fernando Carvalho e o longa-metragem “É Um Caso de Polícia”, de Carla Civelli.

A 18ª edição de 2016 acontece entre os dias 06 e 16 de outubro, consulte a programação completa no site do Festival.