PROFISSÕES DO CINEMA – PARTE 2: Produção, Produção Executiva e Direção de Fotografia

Dando continuidade a primeira reportagem sobre profissões de cinema, com a intenção de mostrar um pouco sobre as funções e as etapas de produção que abrangem esse imenso universo chamado CINEMA, entrevistamos sete professores da Academia Internacional de Cinema (AIC) para falar, cada um deles em sua especialidade, sobre oito importantes funções específicas na cadeia produtiva audiovisual. Nessa segunda parte conheceremos um pouco mais sobre produção, produção executiva e direção de fotografia.

“Como definem a profissão?”, “Como veem o mercado de trabalho atualmente?”, “O que precisa ter um bom profissional nessa área?” são os temas abordados entre as nossas perguntas, sempre finalizadas com a indicação de filmes que sejam referência para estes profissionais que hoje dividem a realidade do set de filmagem com a sala de aula!

Essa é a segunda parte de uma série de três capítulos de entrevistas, não perca a última parte na próxima semana.

Produtor – Teresinha Cipolotti, produtora e professora do curso Fimworks e do curso de Produção da AIC

IMG_1443_netAIC – Como você define o trabalho do produtor?

Teresinha Cipolotti – Para realizar uma obra audiovisual, é necessário o trabalho de uma equipe que irá desenvolver e transformar a ideia que está no papel em realidade. Esse é o trabalho da produção. Um produtor deve proporcionar a infraestrutura da produção de um filme e cuidar de tudo que esteja na frente e por trás das câmeras, sejam equipamentos ou pessoas, para que a filmagem corra de forma tranquila e produtiva. Aí reside a importância de um bom produtor. Entre as principais características de um bom produtor destaco: ser organizado, ter jogo de cintura e, principalmente, saber trabalhar em equipe.

AIC – Como você vê atualmente o mercado de trabalho para os produtores?



TC – Toda obra audiovisual precisa ser produzida, o que torna o mercado de trabalho bem amplo. O produtor pode atuar em várias frentes, como: cinema publicitário; em curta, média ou longa-metragem; em TV e também em vídeos institucionais e motivacionais para empresas. Além disso, hoje temos também os vídeos virais que povoam a internet.

AIC – Quais filmes você considera como referência essencial no trabalho de produção?

TC – Poucos filmes que abordam o tema “produção”. No Brasil posso indicar dois filmes, um de ficção e outro de documentário. A ficção é “Sábado”, de Ugo Georgetti, que conta a história de uma equipe de filme publicitário que filma no hall de um prédio residencial em SP, num sábado. Ugo mostra o embate e a dificuldade da invasão de uma equipe de cinema e a reação dos moradores do prédio, sempre de uma maneira muito bem humorada. Já o documentário “Lado B – Como Fazer um Filme Sem Grana no Brasil”, de Marcelo Galvão, vale a pena ser assistido, pois mostra as dificuldades do diretor em filmar seu primeiro longa. Internacionalmente, além do clássico “Noite Americana”, de François Truffaut, indico também o documentário “Lost in La Mancha”, de Terry Gilliam, que conta desde o início a sua tentativa frustrada de filmar D. Quixote.

Produção Executiva – Laura Fazoli, professora e coordenadora do Curso de Produção Executiva da AIC

AIC – Como você define o trabalho do produtor-executivo?IMG_1510_net

Laura Fazoli – A Produção-Executiva é o que faz o filme ou o conteúdo audiovisual acontecer. Produção significa fazer, construir. Já a palavra “executiva”, deriva do verbo executar. Mais do que o “fazer”, tem como conceito o “viabilizar” – entenda-se aí conseguir recursos para realizar a obra audiovisual.

Assim, a produção executiva deve viabilizar e conciliar as capacidades humanas e técnicas da produção para que ela se torne possível através da verba disponível. É o produtor-executivo que viabiliza a verba através do conhecimento para fazer acontecer o projeto do filme. Um bom produtor-executivo precisa ter conhecimento da área, visão de mercado e pró-atividade, além de criatividade, como qualquer bom negociador.

AIC – Como você vê atualmente o mercado de trabalho para os produtores-executivos?



LF – O mercado de trabalho para produtores vai além do cinema e da TV. Além de produtoras tem também canais de televisão, de VOD (Video On Demand) e de tudo o mais que engloba o audiovisual. A profissão está em ascensão, inclusive, por conta da nova lei 12.485, que obriga os canais a cabo a veicularem produções brasileiras.

O Brasil, ainda é embrionário na indústria do audiovisual, mas está aprendendo muito rápido que a função do produtor-executivo como figura responsável pela viabilização do negócio é fundamental para o sucesso do conteúdo audiovisual.

AIC – Quais filmes você considera como referência essencial no trabalho de produção-executiva?

LF – “Os Produtores” – A comédia musical, com Matthew Broderick, é um filme divertido que mostra o universo da produção.

- “Saneamento Básico”, de Jorge Furtado. Mostra de forma bem-humorada que quando se quer, é possível viabilizar uma produção!

- “Uma Manhã Gloriosa”, com Harrisson Ford, Diane Keaton e Rachel Mac Adams, o filme conta os bastidores de um programa de TV diário.

Direção de Fotografia – Lúcio Kodato, professor e coordenador do Curso de Fotografia Avançada da AIC

Curso Dir Fotografia KODATO_Foto Alessandra Haro_12_netAIC – Como você define o trabalho do diretor de fotografia?

Lúcio Kodato – Com o advento do Digital existe uma infinidade de câmeras e infinitas possibilidades de aquisição de imagens, pós-produção e exibições nas mais diversas formas e espaços, a figura do Diretor de Fotografia é de fundamental importância. Praticamente todas as decisões técnicas caberão ao diretor de fotografia, portanto o conhecimento, as atualizações e experiências terão um peso muito grande na escolha do Diretor de Fotografia. As características essenciais para um bom profissional são: formação, atualizações, conhecimentos nas áreas artísticas, perseverança e aptidão.

AIC – Como você vê atualmente o mercado de trabalho para os diretores de fotografia?



LC – É um mercado em formação. A facilidade aparente das câmeras levam as pessoas a acreditarem que o trabalho é mais fácil do que realmente é. 

AIC – Quais filmes você considera como referência essencial no trabalho de direção de fotografia?

LC – Teriam muitos, mas vou deixar as dicas de dois filmes: um nacional e outro internacional. Em “Canta Maria”, de Francisco Ramalho, eu fiz a direção de fotografia e considero um trabalho de importância fundamental para compreender e trabalhar com a luz do nordeste brasileiro, próxima a linha do Equador. O Outro filme é “Um Beijo Roubado”, de Wong Kar Wai, traz o trabalho do diretor de fotografia Darius Khondji, que teve um enorme desafio no filme, considerando-se que ele nasceu em Hong Kong, uma cidade vertical.

Confira também a primeira e a terceira parte da reportagem.

*Matéria de Paulo Castilho para Revista ZOOM – fotos Alessandra Haro e Mônica Wojciechowski