Professores e Alunos selecionados em Laboratórios de Roteiros

brlabOs laboratórios de aprimoramento de roteiros se tornam cada vez mais populares e numerosos, além de contemplarem projetos de filmes que – depois de prontos – se sobressaem comercialmente e em festivais. Como é o caso dos filmes “Casa Grande” (Fellipe Barbosa), selecionado e premiado nos Laboratório de Roteiro e Direção de Sundance em 2008, “Os Amigos”(Lina Chamie) e “Que Horas Ela Volta?” (Anna Muylaert), ambos selecionados para o 1º laboratório Novas Histórias, em 2011.

Geralmente os laboratórios são feitos e pensados para incrementar e refinar a voz de cada escritor, através do feedback personalizado de profissionais experientes da indústria e outros escritores do programa. O Sundance Institute Feature, que tem um dos laboratórios mais importantes do mundo, diz em seu site que a visão única de cada cineasta é abraçada e incentivada.

Thais Fujinaga, coordenadora do Curso de Formação Livre em Roteiro da Academia Internacional de Cinema (AIC), diz que esses laboratórios são muito importantes, “em primeiro lugar, pra ajudar no desenvolvimento dos roteiros. Também ajudam os projetos a ganharem visibilidade e angariar parcerias (especialmente com distribuidores). Nesse sentido, servem não apenas aos roteiristas, mas também aos produtores do filme. Existem laboratórios que discutem o roteiro, mas também fazem rodadas de encontros entre os realizadores e produtores dos filmes e possíveis parceiros. Outros, ainda, premiam alguns roteiros com serviços que ajudarão a futura realização do filme.”

logo novas históriasThais também diz que o trabalho de escrita e reescrita de um roteiro é fundamental para aprimorar sua estrutura e os sentidos da história. “Poder desenvolver uma parte desse trabalho com o acompanhamento de tutores, pessoas experientes e vindas de diferentes lugares, com referências e estilos diversos, é muito rico. Além disso, é uma oportunidade para o roteiro ser ‘testado’, sair do seu núcleo mais familiar, feito de pessoas da equipe, e começar a chegar em pessoas que não tem nenhum envolvimento prévio com aquela história, com aqueles personagens que estão no papel. O olhar do outro é importante nesse sentido, de trazer uma análise que parte de um distanciamento e, por isso, pode traz reações diferentes das esperadas pelo autor da história”.

Thais, assim como o professor Eduardo Mattos, a coordenadora e professora Marcela Lordy e os ex-alunos Dov Zylberman e Bruna Grotti, acabam de ter projetos selecionados para participar de laboratórios de roteiro.

Dov, que cursou Formação Livre em Roteiro em 2014, diz que foi a melhor coisa que poderia ter feito. “Ainda trabalho com publicidade mas depois do curso passei a enxergar com mais otimismo a possibilidade de me tornar um roteirista de verdade. O curso é excelente. Indico para todo mundo que me pergunta. Os professores – Thaís, Edu, Rafa e Roney – são incríveis, se completam. Sem as aulas, o conhecimento, as dicas e o incentivo de cada um deles jamais teria concluído o roteiro. Ou seja, devo tudo que está acontecendo a eles e a AIC”, conta.

Os projetos

 

O Livro dos Prazeres
ouvir o rio

A professora do Curso de Documentário da AIC, Marcela Lordy, selecionada para o BRLab

O projeto de longa-metragem de ficção da coordenadora e professora Marcela Lordy foi selecionado para o BRLab, laboratório de desenvolvimento de projetos no Brasil promovido pela Klaxon Cultura Audiovisual e SP Cine com patrocínio da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo. Esse já é o segundo prêmio que o projeto ganha. Recebeu também um prêmio de coprodução Brasil Argentina com a produtora Rizoma Films, uma das mais importantes produtoras argentinas.

O filme, que é uma livre adaptação do romance “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”, de Clarice Lispector, já tem as atrizes Simone Spoladore e Leandra Leal confirmadas. A trama conta a história do encontro de Lóri e Ulisses e seus desafios pessoais na aceitação do amor. Um jogo de erotismo e sedução através das sensações íntimas de Lóri.

Lóri, uma solteira bastante reservada de 30 anos, tem uma visão romântica do amor e uma forte conexão com a natureza. Ulisses, 48 anos, argentino egocêntrico, solteiro e provocador é professor universitário de filosofia, um homem urbano e anda cansado da sua solteirice boêmia.

Num acaso, Lóri conhece Ulisses e acompanhamos os encontros e desencontros dos dois, numa jornada conflituosa de aprendizado e numa aventura fascinante de autoconhecimento.

O Filho Plantado
A professora Thais Fuji, coordenadora do curso de Formação Livre em Roteiro da AIC, selecionada para os laboratórios Novas Histórias e BrLab

A professora Thais Fuji, coordenadora do curso de Formação Livre em Roteiro da AIC, selecionada para os laboratórios Novas Histórias e BrLab

O projeto da professora Thais Fuji, contemplado pelo Fundo Setorial do Audiovisual, foi selecionado para o Laboratório Novas Histórias – idealizado e organizado por Carla Esmeralda e que faz parte do Programa Sesc/Senac de Desenvolvimento de Roteiros – e também para o BRlab.

O longa de ficção, ainda em fase de pesquisa e desenvolvimento de roteiro, conta a história de Hilda, uma senhora de 68 anos, que, com medo de passar a velhice sozinha, decide adotar uma adolescente. Ela escolhe Lia, uma menina de 14 anos, que tem um irmão. Joca, prestes a completar 18 anos, precisa deixar o abrigo, mesmo sem ter pra onde ir. Temendo se ver separada de Joca, Lia tenta convencer Hilda a adotar os dois juntos. Enquanto a mulher se esforça pra conquistar Lia, Joca se aproxima de Hilda naturalmente e aí se desenrola toda a história.

Melhor Que Seja Ela

O projeto do professor Eduardo Mattos, contemplado pelo Fundo Setorial do Audiovisual e selecionado para o Laboratório Novas Histórias, é uma comédia que conta a história de Osmir, um analista de sistemas dedicado ao trabalho, cujo esforço não implica um reconhecimento profissional ou social. Sem amigos, só conversa mesmo com seu peixinho laranja. De férias em Bariloche, percebe que pode despertar o interesse alheio que nunca recebeu e assume uma identidade feminina. Passa então a viver uma dupla identidade: Osmir e Angela.

O professor Eduardo Mattos, selecionado para o laboratório Novas Histórias

O professor Eduardo Mattos, selecionado para o laboratório Novas Histórias

Estátua

Selecionado para o Novas Histórias e para o Guiões, Festival Internacional do Guião Cinematográfico de Língua Portuguesa, o projeto do ex-aluno Dov Zylberman conta a história de Augusto, um funcionário do departamento do patrimônio histórico da prefeitura que vive em uma São Paulo cada vez mais mal tratada e é responsável pela conservação dos monumentos e estátuas instalados em espaços públicos da capital. Do outro lado está Peu, um garoto da periferia que deseja espalhar sua marca pichando todos os monumentos e estátuas que encontra pela frente. Enquanto a ação do pichador vai minando a paz de Augusto, ele conhece Elisa, uma artista de rua que se apresenta como estátua viva. Augusto vê em Elisa sua obsessão por estátuas transformada em realidade e se apaixona por ela, mas quando descobre que Elisa é amiga de Peu as coisas começam a dar errado.

Batismo em Água Rasas

O projeto da ex-aluna e jornalista Bruna Grotti, também entre os dez finalistas do Guiões, é sobre a emancipação e o crescimento de uma mulher como ser social.

Esther e Dan são um casal de judeus moradores de Higienópolis, bairro nobre de São Paulo, e donos de um motel que vai de mal a pior com a crise hídrica que assola a cidade. Num cenário quase apocalíptico de seca, pobreza e sujeira, Esther é abandonada: Dan foge após provocar um incêndio no motel para resgatar o dinheiro do seguro, e Ira, empregada doméstica da família e melhor amiga de Esther, volta para o Nordeste para visitar a mãe. Para Esther, tudo o que resta é esperar pela chuva e amargar a solidão, que, de certa forma, é amenizada por sua trilha de redenção ao tentar se identificar com a filha, uma menina prodígio de inclinações umbandistas, e ao se aproximar de um menino de rua sem nome e miserável.

“Sair da AIC com um roteiro de longa completamente escrito beirava a utopia. Acontece que o conteúdo do curso me deu bastante base e eu fui me sentindo cada vez mais desafiada e, ao mesmo tempo, à vontade para escrever. A Thais, o Rafa, o Roney e o Edu foram fundamentais nesse processo e sensacionais nos ensinamentos, nas dicas, nas orientações, no apoio e na parceria. Outra coisa que indiscutivelmente me ajudou a construir um bom projeto foi a minha adoração pela literatura e por contar histórias”, conta Bruna.

*Foto destaque Yuri Pinheiro