Monica Palazzo tem dois filmes no Festival do Rio

A Diretora de Arte e professora da Academia Internacional de Cinema – AIC, Monica Palazzo, assina a Direção de Arte de dois filmes que estão no Festival do Rio, que acontece entre os dias 26 de setembro e 10 de outubro.

“É muito bom ter ambos os filmes estreando no Festival do Rio, que é um dos mais importantes do Brasil e talvez na América do Sul. É uma grande oportunidade de vitrine e de trocas com o público, afinal, é pra isso que fazemos cinema, né? Para compartilhar um olhar, uma história, pontos de vista, universos vividos e retratados, situações inusitadas, personagens!”, conta Monica.

Rio Cigano

O longa “Rio Cigano”, tem direção de Julia Zakia e conta com uma narrativa inspirada na tradição oral cigana, combinada a temas

Cena do filme Rio Cigano

Cena do filme Rio Cigano

contemporâneos, como o consumo da vaidade.

“Conheci a Julia em 1999 e tenho grande amizade desde então. Fiz a direção de arte dos seus curtas de ficção, e ela fez preparação de elenco no meu primeiro curta, ‘Páginas de Menina’, e fotografou parte do meu 2º curta. A Julia tem um papel importante na minha vida, ela me convidou para fazer trabalhos desafiadores, e ao mesmo tempo, sempre me deu liberdade para criar, e oportunidade para as trocas. Ao ler o roteiro do Rio Cigano, desde as primeiras versões, enxerguei o projeto como uma espécie de “conto de fadas” (usando aqui a relatividade do conceito e não encarando de forma absoluta – ou seja, o filme não é um conto de fadas conhecido, e sim, uma história que se articula de maneira inusitada, metáforas visuais e sonoras, a relação entre as personagens)”, conta a diretora de arte.

A história gira em torno da cumplicidade entre duas meninas ciganas, Kaia e Reka, violentamente separadas na infância e criadas em mundos distantes. Durante uma viagem, os ciganos se veem obrigados a atravessar a fazenda de um conde, de onde são expulsos. Em meio à fuga, uma das meninas se perde e é raptada pelo fazendeiro. Ela é criada no casarão da fazenda como servente da condessa e, absorvida pelo trabalho, cresce agarrada às poucas lembranças da vida cigana. Kaia, por sua vez, é criada pela própria família até deixar o acampamento e partir sozinha em busca de Reka.

“A beleza dos elementos é filmada de uma maneira sensível e o universo fílmico é particularmente feminino”, revela a diretora, no blog do filme.

Para saber a programação de exibição, clique aqui.

O Tempo que Leva

A atriz estreante Mayana Neiva em cena do filme O Tempo que Leva

A atriz estreante Mayana Neiva em cena do filme O Tempo que Leva

O curta “O Tempo que Leva”, dirigido por Cintia Dommit Bittar, também conta com a participação do professor e diretor de arte, Dicezar Leandro.

“No final de 2012, tivemos a ideia de convidar outro diretor de arte para dividir o trabalho comigo, o Dicezar Leandro, que, além de amigo, é parceiro nos cursos da AIC, tinha interesse e disponibilidade em ficar durante toda a filmagem em Floripa. Foi superinteressante essa divisão de trabalho, agregou ao filme e às pessoas que trabalharam conosco, e para cada um de nós também. Compartilhar o olhar e o processo de trabalho é uma forma eficiente de agregarmos conhecimento e desenvolver novas estratégias de criação”, conta Mônica.

Gravado na cidade de Florianópolis – SC, o filme tem pitadas de ficção científica. O calor beira o insuportável. As poucas pessoas que restam na cidade estão fugindo para o interior. Carros abandonados nas ruas, ruídos estranhos vindos do céu, centenas de animais marinhos encalhados na costa. Mesmo com a iminência do fim do mundo, Jamila sai de casa com um objetivo: consertar seu ventilador.

“Desde a leitura do projeto, e do roteiro, eu me encantei com a forca da protagonista, e topei fazer o curta, ele tendo ou não verba. Ao longo de 2012 a gente manteve contato, e em janeiro de 2013 começamos a pré-produção. A Cintia é uma diretora com várias certezas, e além da sensibilidade da direção, também pensa como produtora, o que viabiliza muito o projeto como um todo. Eu gostei muito de como tudo se deu, por exemplo, a definição do look do filme, uma fotografia amarelada, dourada, pois algo diferente estava acontecendo no céu, explosões solares causando a morte de animais, interferindo no sinal dos satélites”, conta Monica.

Para saber a programação de exibição, clique aqui.

*Foto em destaque, Monica Palazzo atuando em “Rio Cigano, foto de Gui Mohallen. Fotos do filme “Rio Cigano”: Gui Mohallen. Fotos do filme “O Tempo que Leva” – frames do filme.  

Conheça os  filmes dos professores Cristiano Burlan e Lina Chamie que também estão no Festival do Rio (leia a matéria completa aqui).