Principais prêmios do FAM vão para professores da AIC

Cena de Irmãos Mai da professora Thais Fuji

Cena do curta “Os Irmãos Mai”, da professora Thais Fuji

O curta-metragem “Os Irmãos Mai”, da professora de roteiro da Academia Internacional de Cinema (AIC), Thais Fujinaga, conquistou os prêmios mais importantes do 18º Florianópolis Audiovisual Mercosul (FAM 2014). Ficou com os troféus de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro e Melhor Fotografia. A fotografia do filme foi feita pelo Diretor de Fotografia e também professor da AIC, André Luiz de Luiz.

“A premiação do FAM contempla áreas especificas de criação, o que é muito positivo porque valoriza o trabalho dos cocriadores do filme”, conta Thais que ficou muito feliz com todos os prêmios que o filme recebeu.

Monica Palazzo e Dicezar Leandro, professores de Direção de Arte, receberam o prêmio de Melhor Direção de Arte pelo filme “O Tempo que Leva”, dirigido por Cintia Dommit Bittar.

“Dividir criativamente a função de direção de arte para um filme é um encontro ímpar que não tem a priori a garantia de funcionar. Cada qual traz seu repertório, ideias e opiniões. Mas quando esse encontro nos presenteia com parceiros com pouca vaidade e muita generosidade tudo se conecta, ganha potência e a soma acontece justamente a partir das diferenças. Esse encontro com a Monica, mais do que nesse trabalho é algo que permanece pra vida”, conta Dicezar.

“Acho que ninguém faz direção de arte para prêmios, e de uns anos para cá, tenho focado em projetos de ficção que me atraiam: que proponham uma história, uma dramaturgia e narrativas interessantes, ou mesmo um formato e estética ousados. Então um prêmio vem coroar o resultado que é de um trabalho desafiador e harmônico, que envolve muita gente. Além do que, ainda são poucos os festivais de curtas que premiam as áreas específicas, portanto foi uma surpresa muito boa, o resultado de um reconhecimento dos jurados no meio de tanto filme bacana e bem realizados, diz Monica Palazzo.

Além dos professores, o ex-aluno Lincoln Péricles também faturou os prêmios de Melhor Som e Melhor Montagem pelo curta-documentário “Jairboris”.

Troféus do FAM, entregues para os professores e ex-aluno da AIC. Foto: Sabrina Zaquiere

Troféus do FAM, entregues para os professores e ex-aluno da AIC. Foto: Sabrina Zaquiere

Os Filmes

Os Irmãos Mai

O filme conta a história de dois irmãos descendentes de chineses que precisam levar um presente para a avó. Quanto mais eles caminham, mais longe parecem estar de seu objetivo.

Thais conta que a ideia do filme surgiu quando fazia a pesquisa de elenco para o seu curta anterior e descobriu que o Colégio São Bento, no centro de São Paulo, tem hoje entre seus alunos mais de 50% de crianças chinesas ou descendentes de chineses.

“Essa predominância, como uma nova faceta dessa realidade do centro de São Paulo ligada à imigração, foi algo que me interessou de cara. Mas eu só escrevi o roteiro do curta ‘Os Irmãos Mai’, depois de conhecer o Luis e o Ricardo, irmãos na vida real, com quem eu convivi por um tempo. Foi essa convivência que motivou a realização do filme. Pensei em um enredo simples, apoiado em personagens com um objetivo até certo ponto banal. Por mais que a construção do roteiro trace uma curva de tensão bastante marcada do ponto de vista dramático, tudo o que foi inserido como detalhe partiu da observação da realidade cotidiana desses irmãos: a diversidade cultural existente entre o próprio grupo chinês retratado; a religião e a língua como elementos de diferenciação, que surgem de maneira sutil nas relações em classe ao mesmo tempo em que, no âmbito pessoal, reforçam a cumplicidade dos irmãos dentro e fora da escola; a liberdade com que esses meninos circulam pelo centro, liberdade que nos remete à uma infância já distante, em que a rua existia também como lugar de vivência e aprendizado”, conta.

A Direção de Arte do filme leva a assinatura do Diretor de Arte e também professor da AIC, Dicesar Leandro. “Ter dois filmes em destaque no mesmo festival, ainda mais por se tratar de uma mostra significativa que trazia 17 filmes, incluindo curtas estrangeiros no circuito mercosul, traz uma sensação de satisfação muito grande, de realização, de saber que você está no caminho certo e está compartilhando isso com pessoas merecedoras desse reconhecimento. Nas equipes dos dois filmes, trabalhei com profissionais extremamente competentes e este fato em si já é um reconhecimento pro nosso trabalho, pois esse resultado reflete algo que acredito muito e cada vez mais: que o diálogo e a sintonia das relações humanas dentro das produções fazem toda a diferença no resultado que alcançamos”, conta.

O Tempo que Leva

o tempo que leva

Filme “O Tempo que Leva”, prêmio de Melhor Direção de Arte para Monica Palazzo e Dicezar Leandro no FAM 2014

O filme conta a história de Jamila, que sai de casa durante o fim do mundo, para consertar seu ventilador. O calor beira o insuportável e as poucas pessoas que restam na cidade estão fugindo para o interior.

”A equipe de arte teve o desafio de narrar o não dito. A situação apocalíptica da cidade não era comentada explicitamente nos diálogos dos personagens. A Arte do filme ganhou muita potência narrativa, tornando-se essencial para o entendimento da história e de seu contexto”, conta a diretora Cintia Domit Bittar.

Segundo Dicezar o filme é sobre uma mulher emancipada de qualquer opressão do universo masculino que deseja consertar o seu ventilador devido ao calor insuportável em meio ao princípio de um caos pré-apocalíptico. “Essa premissa, vinda do roteiro e da direção, dizia muito do que precisava estar impresso nas imagens. Concentramos nossas escolhas numa atmosfera de cores quentes, tons pastel e oliva. Para contar essa história, buscamos passar a sensação de calor através das imagens construídas e criamos um universo de caos recém acontecido nas cenas externas. Assim como, um universo de referências que misturavam desde a estética steampunk, das pin-ups de calendário, do brega, do malandro, do vintage, das tatuagens e sobretudo em flerte com o arquétipo brasileiro de Gabriela (de Jorge Amado), para a personagem protagonista de Jamila (Mayana Neiva)”, conta Dicezar.

“Dividir o trabalho com Dicezar Leandro, que, além de amigo, é parceiro nos cursos da AIC, foi superinteressante, agregou ao filme e às pessoas que trabalharam conosco, e para cada um de nós também. Compartilhar o olhar e o processo de trabalho é uma forma eficiente de  somar conhecimento e desenvolver novas estratégias de criação”, conta Monica Palazzo.

Monica também conta que se encantou com o projeto assim que leu o roteiro, principalmente com a força da protagonista. “A Cintia é uma diretora com várias certezas, e além da sensibilidade da direção, também pensa como produtora, o que viabiliza muito o projeto como um todo.”, conta.

Jairboris

O documentário do ex-aluno do FILMWORKS, Lincoln Péricles, foi todo gravado em preto e branco conta a história de Boris, que já fez

lincoln péricles

O ex-aluno Lincoln Péricles recebendo o prêmio de Melhor Montagem e Melhor Som no FAM. Foto: Daniel Guilhamet

tudo na vida, inclusive, ser ator. O curta já passou por vários festivais, entre eles na Mostra de Tiradentes.

O Festival

Em sua 18ª edição, o Festival aconteceu entre os dias 23 e 30 de Maio no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina e é conhecido como um dos principais festivais do sul do país, com o objetivo de fomentar a formação de público e difundir obras inéditas, além de viabilizar o debate sobre o audiovisual.