Professor Godoy, de Gui Aschar é premiado no 17º MixBrasil
Em entrevista, Gui Aschar fala sobre o curta metragem Professor Godoy, realizado como projeto de conclusão de curso de Filmworks, premiado em quatro categorias na 13º Mostra Competitiva Brasil do 17º MixBrasil - Festival de Cinema e Vídeo da Diversidade Sexual.
Criado em 1993, o festival Mixbrasil, é conhecido por apresentar filmes que abordam os mais variados temas relacionados à diversidade sexual, tem foco na produção nacional e conta este ano com programação especial para o ano da França no Brasil.
Além da exibição de filmes em diversos formatos, como longas e curtas metragens, filmes de ficção e documentários, dos mais variados gêneros (drama, terror, pornô, comédia e etc), o evento apresenta uma série de atividades paralelas e especiais, como oficinas, debates, shows e festas.
Foram quatro coelhos de prata :
-Melhor filme pelo Voto Popular
-Melhor roteiro
-Melhor ator para Roney Facchini
-Melhor ator para Kauê Telloli
News AIC: Como e por que você resolveu fazer cinema?
Gui Aschar: Quando eu era mais moleque eu queria ser músico. Cheguei a cogitar a possibilidade de prestar Composição e Regência. Há 15 anos, o mercado para o músico graduado era muito fraco. Uma das grandes possibilidades era compor trilha para cinema e publicidade. Resolvi estudar publicidade. Ser publicitário não era exatamente o que eu queria fazer da vida, mas não me arrependo dos quatro anos que passei na ESPM. Fiz grandes amigos que são muito importantes para minha vida e para minha carreira profissional até hoje. Logo depois da faculdade de publicidade, fui trabalhar como redator e roteirista. Depois de algum tempo trabalhando para projetos que acabaram por não se realizar, fui estudar cinema, mais preocupado em entender de roteiros. Naquele momento meu barato era escrever.
News AIC: Como você escolheu onde estudar?
Gui Aschar: Eu já tinha feito uma faculdade de quatro anos e cogitei a possibilidade de procurar um curso superior. Ao mesmo tempo, estava cansado da vida em escola, pois nunca fui um cara muito acadêmico. Fiquei sabendo do curso da AIC por um antigo amigo da ESPM. O curso era mais curto e mais prático que as graduações tradicionais em faculdade. Estava com muita vontade de ir direto ao assunto, sem passar por aquelas matérias todas da área de humanas que são obrigatórias e que já tinha cursado na faculdade de publicidade. O curso da AIC parecia bem focado na feitura do cinema.
News AIC: Realizou muitos filmes fez antes de Professor Godoy?
Gui Aschar: Durante a escola a gente faz muitos exercícios. Alguns dão certo, outros são catástrofes. Antes do Godoy eu considero apenas um, que é o Além das Veias, que mesmo assim é apenas um exercício que deu certo, e que não tinha pretensão nenhuma de ser um filme. Mal tinha uma equipe para trabalhar. Foi feito em vídeo com o que tínhamos ali em mãos, mas deu certo.
News AIC: Com as experiências dos outros filmes, o que você aprendeu que foi útil no Godoy?
Gui Aschar: Aprendi que é fundamental trabalhar em equipe. Antes eu fazia muita coisa sozinho e ficava sobrecarregado. Uma das coisas que aprendi com os outros trabalhos e que foi muito importante na realização do Godoy foi entender a importância da direção de arte. Nos primeiros projetos a gente chegava na locação e saía filmando do jeito que estava. E também não tínhamos dinheiro para mexer muita coisa. Fui percebendo que não adiantava uma luz legal, um enquadramento bacana ou atores bons se a imagem estava sem graça. Tudo que aparece na tela está contando a história do filme. No Godoy eu tive a maior preocupação com a arte desde o começo. E foi muito bom trabalhar com a Thais Albuquerque na arte, pois ela entendia a minha viagem perfeitamente. Tudo o que aparece no filme, seja locação, figurino ou simplesmente um pequeno objeto foi intensamente discutido por nos várias vezes.
News AIC: Por que fazer Professor Godoy?
Gui Aschar: O Professor Godoy era uma ideia que eu tive tempos atrás para um longa. Era para ser um filme que contasse o último ano escolar de uma turma de adolescentes, e o último ano de trabalho de um professor que estava prestes a se aposentar. Falava dessa fase de descobertas nem sempre fáceis de lidar, de ambas as partes: tanto dos meninos que estavam começando a vida profissional como do professor que estava encerrando.
Quando estava prestes a terminar o curso da AIC, precisava de um projeto de graduação para me formar, que consistia basicamente em um curta rodado em 16 mm. Na falta de ideias melhores e com os prazos vencendo, resgatei a historia do Godoy e resolvi adaptá-la para um curta metragem, focando o enredo em apenas uma das descobertas.
News AIC: O processo de pré-produção e filmagem foi complicado?
Gui Aschar: A pré-produção foi muito complicada, já a filmagem foi mais tranqüila. Na AIC você não tem a obrigatoriedade de trabalhar apenas com alunos da escola durante o projeto de graduação, existe a liberdade de convidar profissionais de fora. Na verdade, essa fez toda a diferença para o filme. Eu tinha um orçamento apertado, afinal o filme foi financiado por mim mesmo. Contávamos apenas com o apoio da AIC, da Locall e dos Estúdios Mega.
Conversei com um amigo da ESPM, Felipe Duarte, que está se tornando um produtor de destaque no cinema. Pedi apenas uma ajuda e aos poucos ele foi gostando do projeto e montou um circo que eu não imaginava. Conseguimos mais parcerias para equipamento como a JKL e a Moving Track, possibilitando-nos fazer uma produção de nível profissional com pouco dinheiro. Grande parte da equipe era de profissionais com bagagem no cinema, que estavam lá com a gente por acreditarem no projeto. Essa característica profissional fez com que as filmagens fossem tranqüilas, sem grandes atrasos, e com muita organização.
News AIC: Você já tinha ideia de que o filme alcançaria a repercussão que vem alcançando?
Gui Aschar: Jamais poderia imaginar. É o meu primeiro filme profissional. Sou inexperiente e tinha medo que não desse certo. Mas a equipe era muito boa e me deixou muito confiante. Eu sinceramente imaginei que tínhamos alguma chance em alguns festivais que o filme nem sequer entrou. O mundo dos festivais de cinema é bem relativo. As seleções são subjetivas, qualquer um tem chance de entrar. No Mix Brasil a gente tinha grande expectativa de entrar, afinal falamos de um tema que agrada muito o festival. Mas eu nunca poderia supor que participaríamos da mostra competitiva e levaríamos quatro prêmios para casa. Isso foi uma grande surpresa que eu realmente não esperava.
News AIC: Tem planos para os próximos filmes?
Gui Aschar: Tenho muita vontade de fazer algo no gênero ficção científica. Lógico que em curta metragem isso fica difícil, mas quando falo ficção científica, não falo de efeitos visuais ou naves espaciais. Estou falando sobre ficções que envolvem assuntos científicos, como a teoria dos multiversos por exemplo. Sempre me fascinaram essas coisas. E obviamente falar das relações humanas em torno disso. A ideia agora é ir atrás de patrocínios para fazer coisas com qualidade cada vez maior. E também tentar fazer outros projetos na minha produtora.
A produção também é destaque na imprensa com entrevista para a Fashion TV sobre o mix Brasil; entrevista de Gui Ashcar, Roney Facchini e Kauê Telloli para o Canal Brasil; entrevista na revista Beta, edição de dezembro de 2009; entrevista na revista Zoom Magazine e artigo sobre o Mix Brasil no Caderno 2 do "O Estado de S. Paulo" do dia 24/11/2009 - Por Luis Carlos Merten.
Sinopse do filme
O filme conta a história de um severo professor de matemática que se vê em uma situação difícil quando percebe que um de seus alunos começa um instigante jogo de sedução.
Assista o trailer do curta:
