Para você, o que é cinema?

Perguntamos aos professores do Intensivo de Férias: “PARA VOCÊ, O QUE É CINEMA?”. Como um dos grandes diferenciais do Intensivo de Férias de Cinema é que cada disciplina é dada por um professor especializado das diversas áreas do cinema, cada professor definiu cinema de um jeito. Eles também contaram sobre sua área de atuação, sobre os projetos que estão realizando no momento e ainda revelaram algumas atividades que irão rolar durante o curso.

Para Cláudio Gonçalves, coordenador do intensivo, além da vantagem de as aulas serem ministradas por professores da área, o curso tem um clima único já que tem gente de todo canto do país. “Por conta disso, acontece uma interação muito rica. Desses encontros entre pessoas de lugares tão diferentes nascem muitas vezes parcerias e projetos futuros. A atmosfera da escola muda também. Há um clima de celebração que atravessa todo o mês de julho ou de janeiro. É tudo muito intenso, o curso passa rápido e a maioria acaba querendo mais um mês de intensivo”.

Cinema de A a Z

 

Direção: Cláudio Gonçalves

Direção de AtoresDireção
Dirigir é (ou deveria ser) um exercício permanente de humildade e de paciência. Uma busca incansável para compreender a si próprio e depois o mundo que nos cerca através da linguagem cinematográfica (que o diretor deve conhecer e dominar profundamente); um meio de expressão complexo e fascinante.

O que você vai ensinar?
Uma das atividades práticas chama-se exercício dos seis planos. Os alunos inventam uma micronarrativa, fazem o roteiro técnico dela (ou decupagem) e filmam com até seis planos fixos e sem som. Uma micronarrativa puramente visual.

No que você está trabalhando no momento?
Estou enviando para festivais meu segundo longa-metragem independente: “Foda-se, Meu Amor!” Também estou editando um documentário sobre o Guarani, clube de futebol lá de Campinas, dirigido pelo professor Samir Cheida.

Roteiro: Thiago Fogaça

assistencia de direçãoRoteiro
Saímos de um filme comentando os efeitos especiais, os ângulos de câmera, os truques de edição, as boas atuações, a direção inovadora, os elementos artísticos. Mas o que fica conosco são as emoções. O que comentamos meses depois de ver um filme é o que ele significou para nós. Isto é o trabalho do roteirista, conhecer a natureza humana e saber passar através de personagens e tramas algum significado que nos faça refletir o que é ser humano.

O que você vai ensinar?
Farei os alunos procurarem pelo pior personagem para passar pela pior situação ao bolar várias ideias para curtas-metragens. Histórias poderosas fazem isto, pois forçam os personagens a entrarem não só em conflitos externos, mas também internos, questionando personalidade, crenças e moral.

No que você está trabalhando no momento?
Estou escrevendo um livro de roteiro e desenvolvendo uma série de animação para crianças de 8 a 12 anos, sobre uma bandinha de Rock que viaja no tempo mais estragando do que consertando o passado.

Produção: Alessandra Haro e Teresinha Cipolotti

Produção
Produção é o alicerce de qualquer filme. A produção é a área que vai transformar o filme em realidade.

O que vocês vão ensinar?
Apresentamos cases de filmes que já trabalhamos e fazemos a leitura e análise do roteiro do curta-metragem que irá ser produzido pelos alunos, levantando as necessidades referentes às áreas de produção.

No que você está trabalhando no momento?
Alessandra: Trabalhando na WIFT como diretora de produção. No momento estou desenvolvendo a produção de exibições de longas seguidas de debates com a equipe do filme.
Teresinha: Fazendo Direção de Produção do programa educativo Click, para o canal a cabo Gloob (canal infantil da Rede Globo).

Som: Bernardo Marquez e Julian Ludwing

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O som, diferentemente da imagem, não está sujeito aos limites de um enquadramento. O pensamento sonoro em uma narrativa pode expandir o leque criativo, nos fazendo acreditar no impossível. A magia do cinema depende da sonorização para nos fazer acreditar, e essa arte do ilusionismo é tão prazerosa quanto desafiadora.

O que vocês vão ensinar?
É muito bacana realizar um exercício de captação de som direto onde cada aluno terá contato com diferentes desafios que ajudarão a “abrir os ouvidos”.

No que você está trabalhando no momento?
Bernardo: Terminando o mestrado na ECA/USP sobre o pensamento sonoro do cinema brasileiro. Entrando na etapa da pós-produção de som do longa documentário “Memórias da Resistência“, o qual assino a Direção de Som.
Julian: Estou produzindo a sonorização para uma exposição do SESC que vai narrar a história do rio Paraíba, além de um longa-metragem documentário sobre raios, produzindo pelo INPE.

Direção de arte: Luiz Lopreto

Direção de Arte
Resumindo: sem ARTE, não dá!!! Direção de Arte

O que você vai ensinar?
Entre os exercícios propostos destaco a produção do ” Curta com Fotografias ” onde, através de pretextos pré-estabelecidos que abordam a natureza dos princípios compositivos da Direção de Arte, o aluno tem a oportunidade de elaborar um curta feito com fotografias.

No que você está trabalhando no momento?
Estou elaborando meus novo espetáculo interdisciplinar chamado “Fragmentos”, com Poesia, Dança, Música, Teatro para a produção de fotos e vídeos ao vivo – com apresentações para o Festival de Inverno de Paranapiacaba.

Fotografia: Rafael Nobre e André Moncaio

Fotografia
A fotografia de cinema é muito mais do que câmeras e tecnologia. É pensar, sentir e materializar palavras através da técnica e do olhar sensível e apurado do diretor de fotografia.

O que vocês vão ensinar?
Durante as aulas de iluminação, os alunos realizarão um exercício de reprodução de uma tela barroca.

No que você está trabalhando no momento?
Rafael Nobre: Após o término das filmagens do novo longa-metragem do Cristiano Burlan, estou em meio a pré-produção de um curta-metragem de Cláudio Gonçalves, com previsão de início para Agosto.
André Moncaio: Acabei de finalizar o documentário “Canto da Lona” que fotografei e foi dirigido pelo premiado diretor Thiago Brandimarte Mendonça. O filme será lançado neste ano e deve figurar em alguns festivais. Foi uma experiência bem interessante, pois o filme foi em P&B e com uma abordagem de fotografia de ficção. Também estou finalizando o curta-metragem “Como a chuva” do diretor Márcio Yonamine, um filme muito poético, no qual utilizei abordagens “inversas” no que diz respeito às formas tradicionais de iluminar cenas diurnas.

Edição: André Francioli

Edição
Saber operar um software de edição, mesmo que bem, não transforma ninguém em montador. Estude a história do cinema, transite pelas outras artes e evite apertar botões de um modo inconsciente e autômato.

O que você vai ensinar?
Busco fazer o aluno entender a montagem como um jogo de manipulação de formas e símbolos.

No que você está trabalhando no momento?
No momento estou em montagem de um projeto pessoal, a partir de um arquivo de imagens de celulares e câmeras fotográficas. Chama-se “Aprendiz de Turista”, um longa-metragem que venho compondo na ilha de edição há pelo menos 3 anos. Um trabalho autobiográfico e iniciático, que também busca dar transcendência estética a imagens muitas vezes ordinárias.

*Fotos: Alessandra Haro,  Julian Ludwing, Mônica Wojciechowski e Divulgação