Olhos de Argila ganha prêmio ABC de Melhor Direção de Fotografia Estudantil

olhos de argila 2Um fotógrafo com deficiência visual que volta a enxergar depois de uma cirurgia. O que era para ser uma alegria, vira um tormento. Essa é a história (de forma simplista) do curta “Olhos de Argila” que ganhou o prêmio ABC de Melhor Direção de Fotografia Estudantil no último sábado.

O diretor de fotografia, Luiz Augusto Moura, ex-aluno do FILMWORKS – o Curso Técnico em Direção Cinematográfica da Academia Internacional de Cinema (AIC), recebeu o prêmio ao lado de grandes nomes da fotografia nacional, como Walter Carvalho, prêmio de Melhor Direção de Fotografia de Série de TV por “Justiça” e Adrian Teijido, prêmio de Melhor Direção de Fotografia em Longa-Metragem por “Elis”.

“Ganhar esse prêmio da ABC veio como uma confirmação de que realmente fomos pelo caminho certo. É muito difícil ter algum tipo de retorno com curtas-metragens, já que é um parto só para que a gente possa fazer os filmes serem vistos por um público mínimo. Então, saber que gente da área, que trabalha com filmes e séries, viu e pensou ‘poxa, esse filme tem algo a mais’ me deixou realmente bem feliz – principalmente nesse momento em que muito se cobra que a técnica esteja à serviço da narrativa”, conta Luiz.

Além de Luiz, vários outros alunos participaram do filme, entre eles: Paulo Soucheff – diretor, roteirista e montador, Andrea Mendonça – continuísta, Priscila Oliveira – assistente de produção, Fabio Bessa Villafranca – edição e mixagem de som, Gabrielle Marçal – diretora de arte, Nathalia Totti – produção de objetos, Elissa Suzuki – assistente de arte, Gabriela Sant’anna – maquiagem de efeito, Toni Neves – ajudante de set.

Como tudo começou…

A história do filme começou a partir da pesquisa do Paulo Soucheff, diretor do filme e também ex-aluno do FILMWORKS, sobre fotógrafos cegos. Em sua pesquisa ele encontrou diversos artistas, entre eles, Pete Eckert, um fotógrafo cego que trabalha com Light Painting e cria suas imagens a partir do som, do toque e da memória. Ele serviu de inspiração para o filme, além do capítulo “Ver e Não Ver” do livro “Um Antropólogo em Marte”, de Oliver Sacks.

olhos de argila 3

Sobre a Fotografia…

Para Luiz a história do filme é basicamente sobre adaptação. Adaptação do personagem a sua nova realidade. “Parece algo simples, mas a questão é que o personagem e a situação que guiam o filme são tão complexos que nos permitiram desenvolver uma visão própria sobre o tema, de uma forma que quando paramos para ver, ainda durante a pré-produção, tudo se ligava sem parecer forçação de barra. Por exemplo, a Gabi Marçal, diretora de arte, trouxe a proposta de trabalhar a perspectiva dos personagens em relação ao apartamento, enquanto eu vim com a proposta de trabalhar uma perspectiva mais emocional do próprio Otto, fazendo uma crescente nos contrastes de luz e cor conforme os eventos se desenrolam, e o Fabio Bessa, editor de som do filme, trouxe a proposta de trabalhar com a confusão sonora pela qual o personagem passa após voltar a enxergar, trazendo uma camada sensorial muito forte”, conta Luiz.

Luiz conclui que juntar todos esses elementos e técnicas podia ser um risco, mas que também, tinham em mente que contar toda essa história percorrendo um caminho seguro, não traria bons resultados.

“Depois de batermos o martelo no conceito geral, produzir a fotografia do filme foi relativamente simples, apesar de trabalhoso. A pré-produção foi muito rápida. Antes de ir para o set já sabíamos como fazer praticamente todas as situações de luz e câmera, e como todas as equipes eram muito boas, tudo andava no ritmo que tinha que andar, sem drama. No fim acho que deu certo, conseguimos fazer um bom filme”, diz Luiz.

Ele ainda conta que o que o ajudou a chegar no filme sabendo o que precisava ser feito foi ter feito assistência para o professor André Moncaio. “Trabalhar com ele abriu minha cabeça sobre o trabalho em si, sobre como lidar com a equipe e todas essas coisas que não se aprendem apenas em sala de aula”.

Outros Festivais…

Além do prêmio ABC o curta foi vencedor do prêmio de Melhor Fotografia do Filmworks Film Festival 2015 – o festival exclusivo da Academia Internacional de Cinema e foi exibido no Short Film Corner de Cannes, em 2016.

Ficha Técnica Completa:

Roteiro, Direção e Montagem Paulo Soucheff
1o AD: Pedro Galiza
2a AD: Ismara Cardoso
Continuísta: Andrea Mendonça
Produção: Miguel Pixies
Assistência de Produção : Thiago Nebuloni, Eder Xavier, Priscila Oliveira
Som Direto: Diana Ragnole e Fabio Bessa Villafranca
Edição e Mix de Som: Fabio Bessa Villafranca
Cinematografia: Luiz Augusto Moura
Assistentes Câmera: Gabriel Arruda e Raphael Lopes
Elétrica e Maquinária: Helmut Lingnau
Direção de Arte: Gabrielle Marçal
Produção de Objetos: Nathalia Totti
Assistência de Arte: Elissa Suzuki
Figurino: Jaque Soares e Fernanda Volkmann
Maquiagem visagismo: Fernanda Volkmann
Maquiagem de efeito: Gabriela Sant’anna
Ajudante de Set: Toni Neves, Gabriel Almeida, Maria Eça Pinheiro

Conheça aqui todos os vencedores.

*Imagens: Frame do filme –  Luiz Augusto Moura