Ouvir o Rio em Havana e no Espaço Itaú

Imaginem documentar um grande artista captando o barulho das águas. Sair por esse Brasilzão em uma expedição em busca de sons. cartaz filme ouvir o rioConseguiu imaginar? “Ouvir o Rio: uma Escultura Sonora de Cildo Meireles”, obra de estreia na linguagem documental da cineasta e professora Marcela Lordy, acompanha o processo de criação do artista plástico Cildo Meireles na busca do som das principais bacias hidrográficas brasileiras, e nas águas processadas pelo homem (residuárias), para a construção da escultura sonora chamada “RIO OIR”.

O documentário, que está em cartaz até o dia 05, com sessões gratuitas, no Espaço Itaú de Cinema, é o relato dessas viagens, das aventuras dessa busca de Cildo indo da Foz do Iguaçu a Pororoca do Macapá, do Parque das Águas Emendadas a Foz do rio São Francisco, para depois em um estúdio de som juntar todos os pedaços combinados à cacofonia das águas residuárias e às gargalhadas humanas e gravar um disco de vinil.

Palavras da Diretora: poesia x política

ouvir o rio

“Partimos abertas a surpresas buscando de forma intuitiva o silêncio e o barulho das águas”, conta Marcela, diretora do filme e professora da AIC.

Segundo Marcela, participar da expedição tinha um ar de aventura inusitada e exótica, mas a cada viagem a situação calamitosa das águas atravessava os olhos e transformava o curso da equipe e do projeto.

“Quando a produtora Carol Dantas falou do projeto fiquei instigada pela ousadia, já que a minha formação no cinema sempre foi voltada para ficção, fazer documentário seria um desafio. Desde o início, o trabalho não estava relacionado a ‘ambientalismo’, mas em ser uma obra de sutileza, criada a partir de jogo e articulação entre palavras e conceitos. Eu e minha parceira de longa data, a fotógrafa (e também professora da AIC) Janice D’ Ávila, partimos abertas a surpresas buscando de forma intuitiva o silêncio e o barulho das águas. Víamos um filme poético e contemplativo, de quadros fixos por onde essa água toda escorreria. Buscávamos um olhar propositalmente plástico que tentasse dialogar às avessas com o trabalho do Cildo em questão, em que a capacidade sensorial predominava sobre o visual. Queríamos sentir o que a natureza tinha para falar, como ela transformava o artista, e o artista sua obra”, conta a professora que ficou surpreendida pelo fato de que muito em breve todas as águas fluviais brasileiras, de certa forma, serão residuárias (processadas).

“Cildo, visto em plena atividade, dá origem a uma verdadeira ‘escultura sonora’, encontrando nova forma de exprimir a relação da humanidade com esse elemento essencial à vida. Pela sua própria natureza, esse trabalho começou com um caráter puramente poético e sonoro, e acabou ganhando dimensões políticas dentro de um tema de importância planetária”, conta a diretora.

Os Festivais

Além de estar em cartaz até o próximo dia 05, o documentário está indo para o 35º Festival de Havana, que acontece entre os dias 05 e 15 de dezembro, em Cuba.

O documentário também já passou pelo Festival do Rio 2012, 1º Move Cine Arte, Cinélatino – XXV Rencontres de Toulouse, 15° Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independiente (BAFICI), Festival international Signes de Nuit – Russia, Shanghai International Film Festival, Cinecipó – Festival de Cinema Socioambiental da Serra do Cipó, 30º festival de Cine de Bogotá, Panorama Fenêtre Ouverte, na 6ª edição do Festafilm Montpellier, Expressions of Brazil 2011(Canadá), FemCine 2012 (Chile) e Mostra do Filme Livre 2013 (Rio, Sp e Df).

O Trailer

OUVIR O RIO: uma escultura sonora de Cildo Meireles from Marcela Lordy on Vimeo.

Ficha Técnica

Brasil, Ficção, 2012, HD, cor, 79 min

Uma produção do Instituto Itaú Cultural e Movie&Art  Produção : Paulo Dantas e Carol Dantas Produção Executiva : Carol Dantas Direção: Marcela Lordy  Roteiro: Marcela Lordy e Thiago Dottori Direção de Fotografia : Janice d’Avila Música Original:  Sergio Kafejian Edição de Som e Mixagem : Ricardo Reis Montagem:  Yuri Amaral, colaboração José Eduardo Belmonte.

ÚLTIMA SEMANA EM CARTAZ

SP: Espaço Itaú de Cinema – Frei Caneca Sala 6 – 18h30
SP: Espaço Itaú de Cinema – Augusta Sala 5 – 18h
SP: Espaço Itaú de Cinema – Pompeia Sala 10 – 17h30

POA: Espaço Itaú de Cinema Porto Alegre Sala 8 – 15h50
RIO: Espaço Itaú de Cinema Botafogo Sala 5 – 16h
CURITIBA: Espaço Itaú de Cinema Curitiba Sala 1 – 17h
DF: Espaço Itaú de Cinema Brasília Sala 7 – 15h20
SALVADOR: Espaço Itaú de Cinema Glauber Rocha Sala 4 – 14h30

*Imagens divulgação