Desde Allá, filme vencedor do Festival de Veneza, conta com participação dos professores Waldir Xavier e Rodrigo Sacic

No último dia de mixagem, em maio de 2015, nos Estúdios Astro, na Cidade do México. Da esquerda para direita :Waldir Xavier (editor de som), Lorenzo Vigas (diretor) e Jayme Baksht (mixador). Foto de Michelle Couttolenc

No último dia de mixagem, em maio de 2015, nos Estúdios Astro, na Cidade do México. Da esquerda para direita: Waldir Xavier (editor de som), Lorenzo Vigas (diretor) e Jayme Baksht (mixador). Foto de Michelle Couttolenc

“Desde Allá”, de Lorenzo Vigas, ganhou o Leão de Ouro no Festival de Veneza. Foi a primeira vez que um filme venezuelano competiu no festival e também a primeira vez que um filme latino-americano conseguiu o Leão de Ouro da Mostra. Os professores da Academia Internacional de Cinema, Waldir Xavier e Rodrigo Sacic são responsáveis pelo som do filme. Waldir fez o desenho de som e a edição e Rodrigo cuidou da edição de efeitos.

Em notícia do Jornal El País, o jornalista Alex Vicente escreve, “a vitória de Lorenzo Vigas teve algo de histórico. O prêmio confirma o excelente estado de saúde do cinema latino-americano, cada vez mais presente nas grandes competições internacionais, que não hesitam em decretar a existência de uma nova onda há mais de uma década.”

Waldir Xavier, responsável também pelo som de tantos outros importantes filmes nacionais, como “Central do Brasil”, “Abril Despedaçado”, “Cazuza” e “Casa Grande”, disse que está muito orgulhoso de fazer parte de um filme como este. “Existe uma atenção e um interesse muito grande sob o cinema latino-americano, o cinema argentino, mexicano etc, no cinema que tem frescor, inovação e autores com vigor. Alberto Barbera, diretor do festival, disse durante a premiação que a América Latina é o lugar de onde estão saindo as produções mais surpreendentes. Desde Allá não é um filme único, não é só ele que está aparecendo, estamos caminhando para essa maturidade artística”, conta.

O Filme

desde alla

O ator Luis Silva que interpreta o jovem Elder.

A história do filme se passa em Caracas, capital da Venezuela, e narra a relação de dependência dos personagens Armando (Alfredo Castro), o dono de um laboratório de próteses dentárias e Elder (Luis Silva), um jovem de 18 anos chefe de uma gangue de vândalos. Mas o filme vai além da relação e retrata as diferenças sociais do país.

Embora a história se passe na Venezuela, a equipe é composta por profissionais de diversos cantos do mapa. Os produtores são mexicanos, a montadora – Isabela Monteiro de Castro – é brasileira e o protagonista (Alfredo Castro) é chileno. Além, claro, dos brasileiros professores da AIC, Waldir Xavier e Rodrigo Sacic.

Waldir conta que o diretor Lorenzo Vigas foi em busca de profissionais que trabalharam em filmes que ele gostava. “O filme teve como característica o trabalhar não estando presente, já que cada um estava num canto da américa latina, mas, não deixaram de existir encontros quando precisávamos trabalhar junto. Eu fiz a base da edição de som no Brasil, mas a dublagem foi feita em Caracas, os ruídos (foley) foram feitos na Argentina e a mixagem no México. Também teve muito o encontro físico, o trabalhar junto, que foi essencial”, conta.

O Som

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O ator chileno Alfredo Castro, que vive o protagonista Armando, dono de um laboratório de próteses dentárias.

Waldir conta que optou-se por não ter música no filme, com isso, a força dramática do som se torna ainda mais importante. “O filme foi todo trabalhado na intenção de reforçar os dois mundos que se trata o longa, de um lado o mundo burguês e silencioso de Caracas e do outro os sons estridentes dos bairros caóticos de periferia, com muita gente, muita fala, muito som. Nosso trabalho foi acentuar esse contraste.”

Já Rodrigo diz que seu trabalho foi o de organizar todos os sons gravados para o filme. “Chegamos a ter dois técnicos gravando sons ambiente de acordo com as necessidades apontadas pelo Waldir. Em um segundo momento, eu realizei a edição de efeitos, um trabalho que eu gosto muito. Editei no filme sons que iam desde drones, completamente abstratos, até batidas de porta, pass bys de carro (muitos!) usando tanto material de sonotecas comerciais quanto sons gravados por mim mesmo. O processo todo durou quatro semanas, se bem me lembro. Eu encontrava pessoalmente com o Waldir ao menos uma vez por semana para apresentar o material e ter um retorno dele”, conta.

Agora é aguardar (ansiosamente) o filme ser lançado aqui no Brasil!