Brigitte Broch fala sobre o trabalho com Alejandro González Iñárritu

Brigitte Broch, na AIC São Paulo, na Semana de Orientação 2015

Brigitte Broch, na AIC São Paulo, na Semana de Orientação 2015

Uma senhorinha de olhos azuis serenos e penetrantes, sorriso largo e muita história pra contar. A Diretora de arte Brigitte Broch, que passou pela Academia Internacional de Cinema (AIC) na última Semana de Orientação, enchendo os estúdios da AIC em São Paulo e no Rio de Janeiro, se parece com uma senhora comum. Olhando para ela, quase não dá pra imaginar ela voando de um país para outro, para comprar metros e metros de seda para o cenário de um filme Hollywoodiano ou, marretando paredes de cenários em minúsculas cidades mexicanas.

Toda equipe da entrevista – a repórter que vos fala, o cinegrafista e a fotógrafa – sem contar a plateia no estúdio, ficaram hipnotizados, diante de tanto carisma e das curiosidades que ela relatava, enigmática. Afinal, não é todos os dias que se escuta sobre como é criar cenários e figurinos para atores famosos como Brad Pitt, Naomi Watts, Benício Del Toro, Kate Winslet, Javier Bardem, Cate Blanchett, entre tantos outros.

Responsável pela arte de grandes filmes, entre eles “Amores Perros” (2000), “21 Gramas” (2003), “Babel” (2006) e “Biutiful” (2010), do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, vencedor do Oscar deste ano por “Birdman”, a palestra de Brigitte foi uma das mais movimentadas da Semana de Orientação 2015.

Responsável pela arte de grandes filmes, entre eles “Amores Perros” (2000), “21 Gramas” (2003), “Babel” (2006) e “Biutiful” (2010), do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, vencedor do Oscar deste ano por “Birdman”, a palestra de Brigitte foi uma das mais movimentadas da Semana de Orientação 2015.

Alemã de nascimento, mas mexicana de coração, Brigitte adotou o México como seu país, já que na Alemanha não se abraça, como ela diz. Começou falando sobre suas vindas ao Brasil, sua passagem por Salvador, anos atrás, e recentemente por Manaus e Florianópolis, onde trabalhou com o professor da AIC, Dicezar Leandro, no filme “Pequeno Segredo”, de David Schurmann, ainda em pós-produção. “Tive o prazer de trabalhar com uma equipe incrível aqui no Brasil”, afirmou. Foi através desse trabalho e contato inicial, com o professor Dicezar, que Brigitte chegou até a AIC.

Responsável pela arte de grandes filmes, entre eles “Amores Perros” (2000), “21 Gramas” (2003), “Babel” (2006) e “Biutiful” (2010), do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu, vencedor do Oscar deste ano por “Birdman”. Brigitte ganhou o Oscar de Direção de Arte, em 2002, por “Moulin Rouge” e participou da equipe de tantos outros filmes, como: “O Leitor”, “Romeu e Julieta” e “Lucía, Lucía”.

Como tudo começou…

Brigitte contou um pouco sobre como chegou no mundo cinematográfico. Formada em teatro, seu primeiro trabalho foi numa pequena cidade do México, onde trabalhou com uma equipe de moradores do povoado, sem nenhuma mão de obra especializada. “Nessa e em todas as outras primeiras produções, eu colocava objetos pessoais, móveis da minha casa ou emprestado de amigos. Era uma época de pouco dinheiro, pouco tempo e muito aprendizado. Foram quase 10 anos de muito trabalho duro e aprendizado antes de ganhar o Oscar”.

Brigitte, assinado o DVD de Mouling Rouge, na AIC RIO.

Brigitte, assinado o DVD de Mouling Rouge, na AIC RIO.

Disse que todo esse aprendizado foi essencial para trabalhar com a segurança de hoje. “Claro que é muito mais fácil trabalhar com tempo de produção e dinheiro. Mas, o mais importante é a sintonia com a equipe. Trabalhar em conjunto com o diretor, com o figurinista, com toda a equipe. Toda decisão sobre cores precisa ser tomada junto com o Diretor de Fotografia, precisa de muita conversa e entendimento. É essencial, já que um vermelho escuro, por exemplo, pode virar preto na filmagem”, afirma.

Técnicas e Curiosidades

Brincando com a seu nome no banner da Semana de Orientação.

Brincando com a seu nome no banner da Semana de Orientação.

“Cada personagem tem um universo, particularidades. A mulher de Bardem, em ‘Biutiful’, por exemplo, antes de criar qualquer coisa era preciso entender o que a personagem tinha passado na infância, por que ela gostava de música, por que ela molestava os outros e era agressiva? Como diretor de arte, você precisa entender toda a bagagem, o passado do personagem. Investigação é o principal, sempre”, disse Brigitte.

“Como é trabalhar com Alejandro González Iñárritu?”, pergunta alguém da plateia, ao final da palestra. Brigitte sorri e responde: “É maravilhoso, muito gratificante, mas, extenuante. Alejandro faz questão de ver tudo antes de filmar, nada passa desapercebido. Quando filmamos ‘21 gramas’, visitamos 100 casas até que achássemos a casa de Naomi Whatts, lembra rindo. E, depois de ter passado a noite finalizando a casa de Del Toro, às 6h da manhã Alejandro entra e diz que precisava de alguns pôsteres de rock para decorar as paredes da casa de Jack (Benício Del Toro), pouco antes de começar a filmar. E lá vou eu, depois de passar a noite em claro, rodar Memphis atrás de pôsteres de Rock”, contou arrancado risos da plateia.

*Fotos: Duda Tavares e Yuri Pinheiro