Alfredinho, de Copacabana, para a Suíça

frame_3_300dpi_10cmDentre os curtas produzidos no primeiro ano da Academia Internacional de Cinema (AIC) do Rio de Janeiro, “Alfredinho”, um documentário sobre um curioso personagem de Copacabana, entra em seu primeiro festival, o FIFF – Festival International de Film de Fribourg, e de cara já recebe seu primeiro prêmio, o CH Cinema Network Prize, um prêmio dado por estudantes de três universidades de Zurich e Lausanne ao melhor curta da Competição Internacional.

Na ata da premiação eles escreveram o seguinte sobre o curta: ”O filme se distingue pela sua leveza, sua proposta aparentemente despretensiosa, mas que no fundo reflete a realidade social e política do Brasil, sem nunca cair no dramático ou na chatice. O personagem nos tocou e nos fez rir bastante pela sua sinceridade, sua maneira de ver o mundo, de se contradizer. É um personagem revoltado contra a sociedade, irritadiço e que critica constantemente, mas que no fundo é um homem autêntico e que demonstra uma verdadeira generosidade.”

Realizado pelos alunos Adriana Santos, Cristiano Freire, Marcelo Santos, Venâncio Batalhone, Victoria Nunes e Vitor Souza Lima, sob a coordenação do documentarista e professor e Felippe Mussel e colaboração de Julia de Simone e Karen Akerman, o filme acompanha durante uma noite, Alfredo Jacinto Melo, ou Alfredinho, como é chamado pelos frequentadores do bar Bip Bip, do qual é dono. Além do polêmico personagem o documentário retrata a rotina do bar que é referência de boa música no Rio de Janeiro. “Durante uma noite acompanhamos Alfredinho e sua rotina no bar, a interação com os clientes, amigos, turistas e músicos. Entre goles de cerveja, abraços e esporros se revela a alma do próprio Bip Bip”, conta o aluno Marcelo Santos.

Equipe do filme com Alfredinho ao centro.

Equipe do filme com Alfredinho ao centro.

O tema Copacabana foi proposto pelo professor Felippe Mussel e a partir dele, os alunos puderam explorar suas nuances das mais diversas formas. A equipe conta que a ideia inicial era abordar a roda de choro do bar, mas a pesquisa os levou para outros caminhos. “Percebemos que o Alfredinho era o que mais nos interessava. Tudo acontecia por causa dele e ao seu redor. Ele, de um jeito ou de outro, parecia ser o centro das atenções, embora o ‘prato principal’ fosse os músicos e o seu repertório. Ficamos encantados com o Alfredinho e a forma como ele agregava, naquele minúsculo espaço, músicos, amigos e clientes, todos em torno da sua carismática figura e das regras que convencionou para o bar onde por exemplo, não se pode conversar alto enquanto os músicos tocam, nem fechar a calçada e atrapalhar a passagem dos pedestres, e a cerveja, cada um que pegue a sua na geladeira, no fundo do bar”, conta a equipe.

Sobre a fotografia, a equipe conta que assumiu suas limitações técnicas e as dificuldades de filmar à noite em um lugar pequeno e cheio de gente. “Nesse ponto, o Felipe Mussel, coordenador do curso, foi crucial e sugeriu um plano muito interessante, que desse ao nosso personagem um certo grau de mistério: filmar o Alfredinho pelas costas. Adoramos a ideia, que achamos que acabou trazendo mais peso aos diálogos do filme”, conta Vitor.

Alfredinho assistindo o filme pela primeira vez.

Alfredinho assistindo o filme pela primeira vez.

E foi assim, depois de quase dois meses de pesquisa, a certeza de que queriam um filme observacional, apenas uma noite de filmagem e todas as limitações encontradas, que o filme ficou pronto e começa a sua (esperamos que longa!) carreira em festivais.

Além das exibições que já ocorreram nos últimos dias 12 e 13 de março, o curta terá mais duas exibições dentro do festival: 17 de março às 18h e 18 de março às 15h15. Para quem estiver na Suíça, a exibição será na Arena 5, Avenue de la Gare 22, 1700 Fribourg.

Sobre o Curso de Documentário

O aluno Marcelo Santos conta que o curso mudou completamente a sua visão sobre o gênero documental. “Além de ter aprendido muito com o estudo das diferentes escolas e conhecido o trabalho de inúmeros diretores, percebi o quanto é possível criar e experimentar através desse gênero. Sempre fomos estimulados a enxergar o documentário como ferramenta criativa e de experimentação. A oportunidade que a AIC nos deu de realizar nosso próprio filme coroou todo o processo”, conta.

Para saber mais sobre o curso, clique aqui.