ABC do Filmworks

Entrevista com os coordenadores Ana Paul e Marcos Verdugo sobre o que esperar do curso, e a relação entre escola e mercado.

 

Ao escolher uma escola de cinema, deve-se considerar diversos fatores, além da qualidade do conteúdo. É preciso avaliar também a formação e a experiência dos professores, a qualidade da infraestrutura e de equipamentos, se os alunos têm acesso –  e em que proporções – às câmeras, kits de iluminação, ilhas de edição, computadores e outras ferramentas, além das oportunidades que a escola gera de entrada no mercado de trabalho. Numa escola prática como a AIC, todas essas questões são importantes — elas possibilitam que a paixão do aluno por cinema se traduza em experiência, em aprendizado, em realização. Nesta entrevista, perguntamos à Ana Paul, Coordenadora Acadêmica, e ao Marcos Verdugo, Coordenador de Produção do Filmworks, como a AIC se difere de outras instituições de ensino e por que vem sendo apontada como exemplo de qualidade entre os cursos de cinema do Brasil.

 

O que torna o programa do Filmworks diferente de um curso universitário ou um workshop de cinema?

ANA PAUL: O Filmworks é um curso bastante focado na prática de filmes. O programa do curso é fortemente orientado para todas as etapas da realização (roteiro, direção, som, fotografia, edição, arte) e há uma quantidade mais reduzida de aulas puramente teóricas (história do cinema mundial e brasileiro) para a formação de um repertório crítico. Algumas graduações carregam mais justamente nesse lado teórico. O aluno que entra já sabendo que ele quer ser um realizador e não um pesquisador acaba se frustrando. Além disso, algumas graduações de cinema ainda fazem parte da grade do curso de Comunicação Social, o que acarreta o estudo obrigatório de disciplinas como Teoria da Comunicação e Semiótica.

Na AIC, o objetivo é realmente a feitura de filmes e o currículo é completamente orientado nesse sentido. O curso de dois anos também se difere muito de qualquer workshop pela questão da grade horária. As questões de roteiro, direção, som, fotografia, edição e arte são abordadas em todos os semestres, chegando num nível bem aprofundado. Além disso, a maioria dos workshops resultam num único trabalho prático do aluno. No Filmworks, o aluno se envolve em nove curtas durante o curso e todos eles passam por uma banca de avaliação com os professores. Portanto, nesses dois anos, ele tem muito tempo para experimentar, acertar, errar e aprender a se conhecer profundamente enquanto artista nesse processo.

 

De que forma o Filmworks prepara os alunos para o mercado?

MARCOS VERDUGO: Os nossos alunos saem com um conhecimento essencial para a entrada no mercado de trabalho. Desde conhecimentos técnicos (fotografia, direção de arte, som e edição) até capacidade de lidar com diversas condições e situações no dia-a-dia da produção (direção e produção). Isso se deve , por um lado,  a grande quantidade de exercícios que eles realizam durante o curso; e, por outro, à presença de professores que trabalham diretamente com o mercado, o que ajuda na construção desse nosso perfil de aluno.

ANA PAUL: Os conteúdos muito aprofundados que o aluno tem durante o curso fazem dele um profissional bem preparado para o mercado. Como o conteúdo é focado na realização de audiovisual em todas as suas etapas, o aluno já sai daqui com os conhecimentos, habilidades e posturas exigidos pelo mercado. Além disso, sai bastante experiente. Ele se envolve nas produções curriculares exigidas pelo programa, mas existe uma grande tradição de trabalhar também em curtas dos alunos de outras classes mais avançadas, acarretando um currículo de uma ou duas dezenas de curtas no final do curso. O fato de aliar conhecimentos com experiência faz do aluno um profissional desejado assim que se forma, já que ele sai completo e não necessita fazer uma adaptação muito significativa para viver fora do ambiente protegido escolar.

 

Poderiam dar exemplos de alunos que saíram da AIC e obtiveram sucesso abrindo suas próprias produtoras e/ou fazendo filmes? Como tem sido o desempenho dos alunos?

MARCOS VERDUGO: Nossos alunos estão dando bons passos dentro do mercado de trabalho. Alguns já se envolveram em grandes produções de televisão ou cinema. Outros, remodelaram suas próprias produtoras depois do curso. Mas também temos alguns alunos que saíram da escola e abriram suas próprias produtoras. Ainda estão no começo mas já contam com pequenos trabalhos e projetos interessantíssimos. Cito alguns exemplos: Marcelo Soboll, acabou de participar da Direção de Produção de um longa-metragem, Victor Nascimento e Patrícia Galucci que abriram a produtora Maria João.

 

 

Como escolher uma boa escola de cinema? O que a escola deve proporcionar?

ANA PAUL:  Uma escola de cinema, além de excelentes professores, tem que oferecer um projeto pedagógico adequado a sua proposta. No caso da AIC, é estimular o lado criativo do aluno, botar para fazer filmes, por a mão na massa. Além desse corpo docente muito apropriado que a AIC possui, com profissionais que são artistas que trabalham na área e não puramente acadêmicos, temos as condições técnicas que permitem o aluno a aprender. Então, quem tem foco em fazer filmes e se aprimorar na linguagem cinematográfica, tem na AIC certamente a melhor opção.

MARCOS VERDUGO: Escolher uma escola de cinema é uma tarefa complicada. Mas eu acredito que uma pessoa interessada em cinema deve se basear em dois pontos: a estrutura do curso (no sentido de uma formação geral) e também no corpo docente. A estrutura do curso deve proporcionar ao aluno uma experimentação geral dos processos cinematográficos e também dar a oportunidade de aprofundamento nos assuntos que os alunos vão descobrindo ser de seus interesses, ou seja, uma estrutura que pressupõe a prática, a troca de idéias, discussões de clássicos e novos conceitos, uma estrutura ligada a uma construção sólida da base cinematográfica do aluno.
Em relação aos professores, acredito que profissionais ou pesquisadores intimamente ligados com o mercado trazem para as aulas, de um lado, a experiência, tão importante para a aprendizagem, mas também dá ao curso uma atualização constante do que realmente se pratica no mercado. Assim, consegue-se desenvolver alunos aptos a serem criativos e funcionais no mercado de trabalho.

 

Ana Paul, o que você espera desenvolver no seu trabalho na AIC em 2012, como Coordenadora Acadêmica?

Pretendo ampliar o nosso corpo docente, chamando cada vez mais professores que não apenas transmitam conhecimentos, mas dialoguem com seu próprio processo de trabalho, com os filmes que fizeram. Além disso, a comunicação entre os professores será melhorada e interligada num processo interdisciplinar, aumentando ainda mais o acompanhamento que o aluno tem em relação aos projetos que faz aqui na escola.

 

Marcos, por que o trabalho de Coordenador de Produção é importante para o Filmworks?

O trabalho do Coordenação de Produção além de garantir a funcionalidade dos fluxos de produção da escola, também faz o acompanhamento dos projetos dos alunos, garantindo que os objetivos de cada exercício seja cumprido bem como ampliando discussões e questões que somente na prática surgem ou ficam mais intensas. É a forma de garantir que nossos alunos sejam assistidos tanto academicamente como no seu desenvolvimento prático.

 

Quais são seus atuais projetos em cinema fora da AIC?

ANA PAUL: No momento, estou escrevendo um telefilme para a TV Cultura, que foi premiado num edital da Secretaria Estadual de Cultura, que será dirigido por outro professor aqui da AIC, o Paolo Gregori. Além disso, estou terminando um livro sobre a questão dos diálogos em cinema.

MARCOS VERDUGO: Sou sócio da produtora Aranhas Films em conjunto com uma professora da casa, Anahí Borges. No momento, temos em pós-produção um filme italiano, dirigido por Pasquale Marino (vencedor do Festival de Veneza/2011), uma série de animação para TV, “O Mundo Mágico de Pety”, e dois projetos de longa em desenvolvimento e um deles rodaremos em 2012. Também temos duas linhas editorias e um projeto de transmidia, “Pety”, a ser lançado em 2013.